Diário de uma vida.
Dulce Maria era uma menina normal até seus doze anos de idade quando sua vida toda virou de cabeça para baixo. E uma menina que era normal vira uma menina confusa e fechada. Agora com seus 17 anos de idade Dulce, que já tinha problemas o suficiente passa a ter o dobro quando eles começam a aumentar cada vez mais e mais. O que você faria se você se visse presa na “escuridão”?
Baseado em uma História Real.
Quinze de Maio de 2005
Acordei pela manhã animada como todos os dias, iria para a escola, ou seja, reencontrar os amigos. Saí de meu quarto sorridente e me dirigi até a sala espaçosa de minha casa, coloquei minha máscara de dormir em cima do sofá de três lugares, e fui caminhando em passos largos em direção ao banheiro principal.
Já no banheiro estava terminando de lavar meu rosto quando vi pelo espelho um par de pernas vindo da cozinha caminhando em minha direção, o meu medo foi descomunal segurei um grito de horror e fechei rapidamente a porta do banheiro como reflexo. Não tive tempo sequer de observar o resto do corpo. Escorei-me pela porta até o chão lembrando- me do fato de que estava sozinha em termo. Todos dormiam.
Fiquei sentada no chão desesperada por cerca de 20mins até que tomei coragem e me levantei, coloquei minha mão sobre a maçaneta, mas a coragem me faltou na hora de abrir àquela porta e sair dali. Com mais alguns minutos refletindo se ia ou não num ato de pura coragem abri a porta e sai correndo pela sala, acendi as luzes o mais rápido possível, me encolhi no sofá e liguei a TV. Sentindo-me mais tranquila, mas mesmo assim alerta a qualquer tipo de coisinha.
Estava vendo a TV quando comecei a ouvir: “Dulce, Dulce...” Engoli seco e me encolhi mais ainda no sofá. Fiquei naquele jogo de sombras e vozes até que alguém acordasse.
Perdi-me no tempo, quando me dei conta ouvi a porta abrindo lentamente, senti o pânico novamente... Cobri minha cabeça com a almofada e ofeguei.
- Dulce, o que está fazendo aqui desse jeito? – suspirei aliviada, era minha mãe. – Vai se arrumar filha, senão vai se atrasar.
- Eu já vou mamãe. – levantei com um pouco de dificuldade, ainda devido ao susto.
- Minha filha você está bem? – minha mãe me encarou com o cenho franzido. Eu assenti rápido. E entes de deixa-la falar qualquer coisa me dirigi até o meu quarto e liguei o som, tentando fazer aquilo sair da minha cabeça de qualquer jeito. É... Eu consegui, mas não para sempre.
E foi a partir dali que minha vida deu um giro de 360º graus.
Eu sou Dulce Maria, hoje tenho 17 anos, e sou paranormal.
Para se llegar a la felicidad, tienes que passar por la obscuridade...
Dois de Outubro de 2010.
O Mercado
Era um Sábado e eu ia com meus pais e Viviana para o Mercado e quando adentrei no mercado a primeira coisa que me veio em mente foi que nós encontraríamos um professor lá dentro, primeiro achei estranho, mas depois nem liguei muito para isso.
- Fernando, eu estou indo na seção diet e light, pode ir ao açougue enquanto isso querido? – minha mãe era um pouco chata na questão da alimentação. Eu estava fora dessa de diet e light.
- Claro querida. – disse meu pai, indo em direção ao açougue, onde provavelmente ficaria por um bom tempo querendo todo tipo de corte que houvesse.
- Dulce, vamos à seção dos iogurtes. – pediu Viviana com os olhos brilhando. A guria com 14 anos ainda se amarrava no chambinho. – Por favor! – eu rolei os olhos e assenti, enquanto Viviana ia buscar outro carrinho. Fomos à seção dos iogurtes e Viviane pegou umas cinco bandejas de chambinho e outras quatro de Danoninho ice. A ideia do encontro com um professor ainda estava em minha mente. O único e grande problema é que essa ideia foi me cercando por todo o Mercado, e meus pais não são bem ágeis quando se tratam de compras, ainda mais aquelas que eram as compras do mês.
- Vou levar esses. – eu peguei três pacotes de absorventes, minha regra ainda não tinha chegado, mas era bom se precaver.
- Dulce você já pegou os cereais? – berrou minha mãe do outro lado da prateleira.
- Já mãe. – joguei os absorventes no carrinho e sai empurrando com um bico. Eu definitivamente ODIAVA supermercados.
Já estávamos no Mercado há pelo menos 1hr quando nos aproximamos do corredor de eletrônicos e aquela ideia de encontrar um professor lá ainda rondava minha cabeça. Atravessamos o corredor rapidamente, até porque ninguém ia parar naquela hora pra comprar uma TV de LCD. Mas no fim do corredor tinha uma criatura imbecil que tampava toda a passagem com seu carrinho.
- Com licença moça, poderia nos dar licença? – minha mãe teve que chamar a atenção da acéfala para que ela saísse do caminho. E quando ela se virou. – Oh meu Deus, Regina! – minha mãe sorriu de imediato. Adivinha quem era? Minha professora e de Viviana da Quarta série.
- Blanca como vai! – respondeu ela sorridente. – Meu Deus olhe só como estão essas mocinhas. – Ela nos encarou sorridente.
Minha cara de tacho foi inevitável. Ela nos cumprimentou e conversaram alguns minutos, depois continuamos as compras.
- Tá legal Dulce? – minha irmã perguntou estranhando minha expressão de confusão.
- Ótimo Vivi, somente cansaço. – e segui todo o tempo pasma, tanto andando pelo mercado quanto no caminho de volta para casa.
Quatro de Outubro de 2010
A visão
Hoje aconteceu uma coisa totalmente perturbadora comigo, estou perplexa, sem reação.
Uma coisa é eu ter “visões” insignificantes, agora, prever a morte de uma pessoa foi demais para mim.
Eu estava no quarto de meus pais, como sempre sozinha, quando me deu uma tontura insuportável e eu fechei os olhos e deitei na cama, e me veio uma imagem na cabeça de uma garota chorando, não tinha como saber o porquê do choro da menina, mas eu... Eu sabia. A avó da menina havia morrido e ela estava desamparada.
- Que estranho... – disse ainda meio tonta enquanto ia até o banheiro. – Que sonho esquisito. – abri a torneira e molhei meu rosto que estava um pouco suado. Apoiei minhas mãos na bancada de mármore da pia. A tontura passou e eu pude me levantar estranhando tudo aquilo que tinha acontecido. Quando o telefone toca...
- Viviana, atenda ao telefone! – ouvi minha mãe pedir e minha irmã atendeu ao telefone. Após ela o desligar eu perguntei quem era.
- Era a Alisson. – respondeu Viviana, com lamuria. Alisson Lozano, era a melhor amiga de Viviana, e todos nós gostamos muito dela. – Ligou para avisar que a avó dela morreu agora pouco, e que não iria para o colégio nos próximos dois dias. – sentou no sofá triste. – Pobrezinha, estava tão mal.
- Oh meu Deus, lembre-me de mandar uma coroa de flores. – falou minha mãe, colocando os brincos. – Pobre Alisson. – negando com a cabeça.
Eu fiquei branca! Claro, a menina de minha visão era Alisson! E eu tinha acabado de... PREVER A MORTE DA AVÓ DELA! Senti-me tonta de novo...
- Está tudo bem Dulce? – disse minha mãe se aproximando de mim com uma expressão preocupada. Eu assenti com a cabeça de leve, estava muito impressionada para falar algo. – Dulce Maria, você não está gravida não é? – me olhou de canto de olho e eu a encarei com os olhos arregalados.
Perfeito, eu desesperada, pois acabei de prever a morte de uma mulher e minha mãe dizendo idiotices. Vida de merda!
- Mamãe a senhora andou tomando umas não é? – revirei os olhos. – Como eu vou engravidar? Do espirito santo? – Viviana riu e minha mãe cruzou os braços com um risinho. – Vou te contar hein? – disse me retirando.
Depois voltei para a cama e tentei esquecer tudo que havia acabado de acontecer.
Dois de Novembro de 2010
A Menina
Era madrugada do dia um para o dia dois, ou seja, Finados. Havia acabado de dar Meia noite, dando início ao dia de Finados, dia dos mortos.
- Quando eu te pegar você vai ver... Você vai ver... Ai de ti... Ai de ti... – estava cantando feliz enquanto tinha terminado de trocar de roupa, já iria sentar na minha cadeira para iniciar mais uma sessão de bate papo com minhas amigas, pela internet. Olhei para a cama e vi que eu havia me esquecido de pendurar minha toalha no banheiro e então fui pendurá-la, porque minha mãe odeia toalha molhada em cima da cama e BLÁ, mas quando passei pelo corredor vi uma coisa completamente fora do normal, havia uma garota em minha sala com uma cara não muito amigável. – Que porra é essa? – esfreguei os olhos achando que aquilo era uma ilusão de ótica, mas quando abri a garotinha continuava me olhando. Eu corri para o banheiro e fechei a porta.
- Ai meu Deus, me ajude! – quase chorei. Fazia-me de forte para as minhas amigas, mas eu também morria de medo. – Droga!
Pude lembrar-me rapidamente da primeira vez que vi um “Espírito”. Meu refugio também foi o banheiro, pendurei a toalha e saí dessa vez não fiquei vendo o tempo passar no banheiro.
- E seja o que Deus quiser, ela é um espirito, certamente não pode me fazer mal algum. – lavei meu rosto e sai. Passei rapidamente pelo corredor e a menina continuava lá me encarando. Era uma criança com cabelos lisos, os olhos dela eram totalmente brancos, não tinham cor alguma e ela segurava um bicho de pelúcia bem surrado, parecia um coelho ou um porco, sei lá, não reparei bem, pois olhar para ela era torturante.
Entrei no quarto e voltei para o MSN, mas ainda assim com medo. Coloquei uma musica animada, vi alguns vídeos engraçados para tentar distrair minha cabeça e minhas amigas me ajudavam a me divertir para não ficar pensando nisso.
Tudo parecia voltar ao normal quando eu comecei a ouvir um choro de criança muito alto e junto ao choro, gritos. E eram pelo menos quatro horas A.M e estava muito alto.
- Oh meu Deus, o que você quer? – tapava os ouvidos. – Pare de me perturbar, por favor! Deixe-me em paz! – estava desesperada. Percebi que só eu ouvia, pois se não todos já teriam acordados assustados.
Eu sentia a que a menina estava no quarto comigo e que ela estava bem irritada, mas não comigo, com a mãe dela. Pois no choro ela dizia “NÃO, PARA, MÃE PARA, AAAAA”
Comecei a conversar com algumas amigas no MSN e elas me perguntavam tudo, tentava me ajudar, uma delas também é paranormal e chegou a ver a menina na casa dela e ainda ouviu seus gritos, a menina tocava meu braço e eu sentia, mas não tinha ninguém no quarto, eu sabia que era ela. Rodei na cadeira para ver se conseguiria vê-la de novo e quando olhei na minha prateleira, uma de minhas bonecas de pano preferidas tinha sumido. Eu ofeguei, sabia que ela tinha pegado. A criança Gritava pela mãe e os gritos dela não saiam de minha mente um minuto sequer. Estava enlouquecendo.
Cheguei a pensar que aquele pobre espirito queria minha proteção, com certeza mãe a machucou muito, Melody me disse que talvez ela morreu pelos ferimentos causados pela própria mãe, e não fazia muito tempo, já que as roupas dela não eram antigas nem nada do tipo.
O que foi mais estranho é que ela simplesmente sumiu depois de um tempo. Vi que minha boneca de pano tinha voltado ao lugar e os gritos cessaram.
- Oh graças a Deus! – suspirei quase desmaiando de alivio ao sentir o silencio em meus ouvidos. – Eu não aguento mais! – derramei algumas lágrimas, eu já estava farta de tudo isso, queria viver minha vida em paz como qualquer adolescente! – É demais isso! – joguei meu travesseiro na parede em um ato de ira. Depois de um tempo me acalmei e logo adormeci.
Fiquei realmente muito assustada.
Três de novembro de 2010.
Medo!
O que pode ser o medo? Bom. O medo não é simplesmente uma palavra. É uma forma de ver a vida. A PIOR! Existem várias maneiras de se encontrar o medo. Não ter ele não é anormal. Mas é quando ele te toma à cabeça, tomando totalmente o controle do seu corpo, deixando apenas uma faísca da sua sanidade. Você se vê sozinha, pensando que nada pode salvar. Está presa em um mundo de obscuridão. Sim você tem que ser forte, levantar a cabeça e gritar: “Me Salve!” Tem que acreditar que vai sair. E eu sei, mas não tenho forças para gritar A boca se abre e palavras não saem. Encontro-me cada vez mais sozinha na escuridão. Presa em uma bolha que se formou em minha volta, contra a minha vontade. E hoje, estou aqui, lutando, sem forças. Por meu amor, amor à amizade, a felicidade, por uma vida normal. E acredito que algum dia vou sair. Ser feliz de novo. E jamais deixar que o medo tome controle da minha vida. Porque é minha vida, é sua vida. Não a vida do medo.
Cheguei do Shopping a pouco, fui comprar algumas coisas com minha mãe, agora estou deitada em minha cama, completamente nervosa e com medo do que eu possa sonhar ou ver. Cubro meu rosto com meu edredom na tentativa frustrada de me proteger do mal. Quando eu ouço de leve meu nome ser pronunciado em meus ouvidos suavemente...
- Dulce... Dulce... – Eu não conseguia distinguir se era voz masculina ou feminina. Fui pega por uma sonolência fora do normal e tudo escureceu. Eu havia dormido por fim...
Onze de novembro de 2010
A dúvida
O que você faria se você encontrasse uma mesa de tortura na sua escola? Sim, uma mesa de tortura. E essa mesa ficasse em uma parte subterrânea da escola, em que ninguém pode entrar?
- Dulce, eu não vou! – Anahí berrou alarmada. Anahí é minha amiga desde muito pequena, ela é uma das poucas pessoas que sabe o que eu passo, com as visões e as audições atormentadoras.
- Annie, por favor! – supliquei, ela continuava se negando. – O que custa? É só para vermos como é e nada mais, quero analisar aquela mesa.. – eu a chamava para irmos até a parte subterrânea. Tal parte da escola que tem uma parede em que a escrito enormemente “S.O.S".
- Amiga de verdade, eu não vou não, eu tremo só de passar por ali, foi mal, vamos ficar por aqui mesmo, daqui a pouco a professora de química chega e vai te deixar sem nota.
- Então eu vou sozinha. – enchi o peito de coragem e me levantei da carteira, Anahí ainda tentou me convencer mais não adiantou nada. Eu estava decidida! Aquilo me encabulava. O que tinha ali? Eu admito que um dos meus defeitos sinceramente é a curiosidade. Logo eu estava em um gramado, não tinha ninguém ali, estavam todos em aula e os funcionários estavam todos na ala ativada. Resumindo: Eu estava sozinha. O que você faria no meu lugar? Entraria em pânico? Eu também entrei. Logo depois eu percebi que o chão é totalmente ondulado, como se já tivesse sido cavado, que a escolta é toda alta, ou seja, acima do nível real do terreno, revelando que a parte subterrânea vai pela escola inteira e que também a grama é sintética cobrindo pedras de mármore no chão.
- Que droga é essa? – me agachei um pouco tentando ver melhor, é vi que tinham algumas larvinhas. Vulgo tapuru. Eram minúsculos e quase não conseguia vê-los a olho nu, tive que forçar um pouco a vista para ver que eles se mexiam. – Essas larvas são tão pequenas, parece que trabalharam muito para chegar até aqui... – sussurrei comigo mesma.
Lembrei-me que em minha cidade antes havia um cemitério antigo. E esse cemitério virou outra coisa. E ninguém sabe onde era esse cemitério. Você como eu também pensei em minha escola... Encarei aquele terreno e a grama sintética, logo em seguida as larvinhas. Não pensei em mais nada a não ser sair correndo dali.
Treze de novembro de 2010
Por quê?
Por que parece que a cada dia que passa eu fico mais distante dos meus familiares e “amigos”?
Dos “amigos” só recebo patadas com o motivo de “Nós não agüentamos mais o seu comportamento assim. Você ta sempre brigando com a gente e BLÁ BLÁ BLÁ”.
Em casa... Tranco-me no quarto sem falar direito com todos, fico perdida em pensamentos e lembranças.
Meu refúgio? O computador, diferente, eu sei. Mas é a única maneira de eu não ficar LOUCA!
Meus problemas são mais difíceis do que parecem.
Minhas “amigas” ficam se queixando das mães que brigam; que as manda lavar a roupa.
Sabem o que eu vivo, mas mesmo assim acham que sofrem mais que eu. Inacreditável, não?
Trocava com elas sem ao menos pensar, mas vejo que isso é impossível. Aparentemente minha vida parecia perfeita, eu era rica, modéstia à parte linda, tinha uma família unida e feliz, frequentava os melhores lugares e estudava em um dos melhores colégios do Rio de Janeiro, mas não era bem assim que a banda tocava, minha vida era um tormento, me sentia sozinha, sentia medo vinte e quatro horas por dia, e eu não era muito “simpática” com as pessoas, se gostasse de mim? Ok ficava feliz pela amizade nova. Se não gostava? Foda-se!
Aqui estou eu batendo papo pelo MSN tentando esquecer os problemas, e realmente muitas vezes eu consigo, afinal meus amigos virtuais me divertem muito. Ouço o meu telefone tocar e balbucio um palavrão em voz baixa, realmente aquele não era o meu dia. Rolo a cadeira para trás e aparo o celular que tocava uma musica do Black eyed peas. Eu amo eles!
- Quem me atrapalha? – disse rolando os olhos.
- Sou eu amiga, está ocupada? – ri, era Maite. Outra amiga minha.
- Não Mai. Fala aí.
- Então, o Ucker vai dar uma festa hoje à noite, você vai não é?
- É obvio que não, aquele mauricinho escroto não perde por esperar! – disse digitando algo no computador.
- Dulce, não seja ignorante, o Ucker não é escroto. – ela disse lamentada.
- Então você está ao lado dele? – disse com os olhos arregalados.
- Claro que não amiga. – riu. – Acontece que o Derrick vai, e eu tenho que acompanhar meu namorado, então pensei que você poderia ir... Sei lá...
- Eu agradeço o convite, mas não Maitita! – disse emburrada. – Hoje não estou com vontade de sair.
- Mas...
- Não. Não. E não! – bufei. – Nos vemos na segunda amiga. Bye! – desliguei.
Ok, você deve estar achando que eu sou uma grossa, mas como eu falei eu sou assim. E tirando que Christopher Uckermann realmente consegue me tirar do serio, aquele mauricinho se acha o talzão só por que usa gel e tem grana. Certo dia ele teve a audácia de dizer que não gostava de como eu me vestia. E você pelo pouco que já me conhece já deve ter imaginado o que eu disse para ele. Joguei o celular na minha cama e voltei a dar atenção ao computador. Por incrível que pareça minha persiana levantou rapidamente, como se estivesse ventando. Mas o meu ar condicionado estava ligado, portanto a janela estava fechada e não havia vento. Me encolhi e procurei esquecer... Enfim isso é o de menos, o que acontece comigo diariamente é trezentas vezes pior. Hoje eu estava tranquila.
Quinze de novembro de 2010.
Investigação.
Os dias se foram e eu não consegui esquecer a bendita parte subterrânea. A cada dia eu entro naquela escola e o primeiro lugar que eu olho é aquela porta, como se me falassem bem baixinho no ouvido “Vai lá, você quer saber o que tem lá. Então vá”.
Resumo da história. Esperei dar 01h20min da tarde, (Nós saímos 12h30min) e puxei minha amiga aventureira pelo braço, Angelique, já que Anahí era uma medrosa, e a levei comigo para frente do grande portão de ferro enferrujado que dava entrada a parte subterrânea da escola. Lá tem um pequeno bueiro, que parece BEM velho. Mas nunca demos muita importância a ele, mas hoje nós demos.
- Olha Dulce, o que é isso aqui dentro do bueiro? – disse enquanto se abaixava um pouco.
- Que estranho. – respondi intrigada.
Ouvimos um barulho de água nele e decidimos ver, e nos deparamos com o seguinte: Um OLHO dentro do bueiro e o cheiro era insuportável.
- Oh meu Deus! – exclamei pasmada. – Olha ali Angel! – apontei. – Consegue ver? – ela assentiu.
- É um olho? – disse-me encarando.
- Sim! E pelo jeito é um olho humano! – disse com uma expressão de nojo e medo.
- Não Dulce... – negou se negando a acreditar. – Deve ser o olho de algum animal.
- Claro que não, olha bem! – ela voltou a encarar o olho. – Esse olho é enorme, um animal não tem um olho assim. Além disso, o cheiro está insuportável. – disse abanando o nariz de leve.
- Eu estou começando a ficar assustada. – me encarou temerosa.
- É melhor irmos logo sim? Antes que nos peguem. – ela assentiu.
Saímos dali boquiabertas e percebemos que a porta estava aberta e a luz acesa, quando decidimos entrar...
- O que estão fazendo aqui senhoritas? – era o inspetor (Tio Phil, ele é gordo e parece o tio Phil do ‘um maluco no pedaço’, a gente o apelidou de várias coisas “Ah moleque” ele é idêntico a ele “Charles Henrique”, “Tio Phil”, “Vem comigo” ele fala direto Vem comigo, etc.) [silver] Só quem assiste pânico na TV saca. Rs. [/silver]
- Nada Tio Phil... OPS! – Pus a mão na boca arrependida. – Quer dizer, senhor inspetor. Só estamos conhecendo o local onde estudamos. – sorri tentando parecer convincente. Ele nos olhou de canto, parecendo não acreditar muito no que dizíamos. – Nada demais! - tive que mentir novamente que não era nada e saímos de lá, mas obviamente o gordo foi comer sua quentinha.
- Essa foi por pouco Dulce! – riu. – Quase nos ferramos de novo. – me encarou com um bico. - Parece que você tem um imã para arrumar confusão hein?
- Obrigado pelo elogio. – revirei os olhos. Era verdade, sempre fui muito levada e sempre arrumava muita confusão com todo mundo.
- Olha ali Dulce! – disse me tirando de meus devaneios. – O que é aquilo? – Apontando para a outra entrada que é pela escada e nela há um cone de transito deixando claro que é proibida a entrada.
- Nossa! Que estranho, por que isso está tão na cara assim? – ri. – É obvio que eles escondem algo nessa porra de sala! E nos vamos descobrir!
- Deixa comigo! – ela deu um pulo e tirou o cone, o pequeno pulinho de Angelique teve mais impacto do que esperávamos, e o cone sentiu isso na pele tadinho, rolou escada abaixo e eu fechei os olhos com força. – OOOPS! – pôs a mão na boca e me olhou com carinha de anjo.
- VAMOS CORRER! – berrei e saímos correndo como fugitivos da polícia. Chegamos ao pátio do colégio respirando com dificuldade devido ao cansaço da correria.
- Dulce, onde tinha se metido! – Anahí veio até mim com uma expressão preocupada. – Te procurei por todo o colégio! – todo não querida, se fosse um pouquinho mais corajosa aí sim teria procurado pelo colégio todo. – OH! – pôs a mão na boca. – Não me diga que estava na subterrânea novamente, Dulce? – eu fiquei calada. – OMG, vai acabar se metendo em confusão por conta dessa subterrânea!
- Não complica ô Anahí. – disse Angelique entediada. – Se soubesse o que vimos não falaria isso.
- O que viram? – perguntou curiosa.
- Um olho humano em um bueiro pra lá de fedido. – respondi, ela arregalou os olhos.
- UM OLHO HUMANO? – berrou e eu tive que tapar-lhe a boca estrategicamente.
- Fala baixo, droga! – disse sussurrando.
Além de Anahí ser medrosa, ela era bem escandalosa. Depois de um tempinho eu soltei a boca dela, certa de que ela não ia mais ter um de seus ataques. Ela somente me olhou assustada e abraçou o próprio corpo, sim, ela já estava com medo. Ri de leve e logo fui interrompida por um ser irritante.
- Olha só quem apareceu... Muito boa tarde Maria. – disse Ucker, com ar zombador.
- Escuta aqui Mauricinho idiota! Não me encha a paciência hoje ok? – virei o encarando com desdém. – E Maria é a senhora sua avó!
- Olha está atacadinha... – riu e se virou para seus amiguinhos.
- Se me der licença, eu tenho mais o que fazer do que ficar perdendo meu tempo com um bando de chimpanzés. – puxei Angelique e Anahí que riam de leve e fomos nos sentar em um canto qualquer, liguei para o meu pai mandar alguém me buscar, e as meninas fizeram o mesmo. Ucker ficou lá com cara de tacho. Ri alto quando vi a cara dele. Logo ele foi se afastando junto com seu bando que era composto por: Derrick James, outro riquinho prepotente metido a galã, esse infelizmente está de rolo com Maite, uma das minhas amigas. Jack Duarte, esse não negava que era apaixonado por mim, já que me babava na cara de pau, sem nem ao menos se preocupar em disfarçar, E por fim o que mais eu gostava nos quatro, Christian Chaves. Christian era o cara mais legal que já conheci. Era o típico bobo da corte, fazia todo mundo rir a beça, e eu me amarrava nele, alto lá, nada disso que você está pensando, eu só gosto dele como amigo, quem não nega que gosta dele pra valer é a Angel.
- Dulce! – ouvi Angel me chamar baixinho.
- O que?
- Temos que ir lá de novo. – eu a encarei confusa. – Temos que arrumar o cone, esqueceu que o deixamos lá jogado? – eu pus a mão na testa. Ela tinha razão. – Se o tio Phil ver vai sacar que foi a gente, e vai nos mandar para a direção.
- Você tem razão. – passei a mão pela face rapidamente. – Vamos lá. – me levantei arrumando minha mochila nas costas.
- Eu não vou não. – Anahí berrou.
- Então fique aí. Nós já voltamos! – disse enquanto me afastava com Angel.
Tivemos que voltar para arrumar a prova do crime, e lá estava o cone no fim daquela escada escura.
- Ali está. Nossa não tinha percebido que era tão escuro assim lá embaixo. – veio-me um frio na espinha.
- Mas Dulce, realmente não era. – ela me olhou e em seguida encarou o fundo da escada.
- Mas o que fazer a não ser pegá-lo? Temos que ir. – descemos as escadas e buscamos o maldito cone e voltamos ao topo da escada quase correndo e por pouco não derrubamos o cone novamente, mas eu o segurei antes que a tragédia acontecesse novamente. O colocamos no lugar e saímos correndo para o pátio, onde Anahí já me esperava, junto com meu pai.
Resumindo mais ainda, não descobrimos nada, a não ser que tem um OLHO NO BUEIRO. Não é que isso está cada vez mais interessante?
Dezesseis de Novembro de 2010.
Ultimas semanas de aula.
É galera, tudo que é bom, dura pouco. Um ano letivo já esta indo, estamos nas ultimas semanas de aula.
- Ain eu vou sentir falta de tudo isso. – disse enquanto ia caminhando com minhas amigas em direção à sala de aula. – Me sinto bem aqui.
- Não é você mesma que vive falando que odeia a escola e tudo mais? – perguntou Maite e eu sorri.
- Pois é... – admiti. – Mas me sinto mais tranquila aqui, em relação à minha casa, em casa me sinto sozinha e meu medo fica maior...
- Nunca me falou porque sente tanto medo de ficar sozinha em casa. – Maite falou intrigada. Anahí e Angelique me encararam pelo canto do olho, Maite pareceu não perceber.
- Não é nada Maitita. – pisquei. – São bobagens minhas que prefiro não comentar. Não se preocupe, não é nada contra você. – Ela assentiu sorrindo e fomos em direção à sala de aula.
Lá estavam Ucker e seu bando... Nossa como ele estava gato! Fiquei um tempo apenas o observando sorrir com os amigos. Balancei minha cabeça para espantar os pensamentos, eu? Achando aquele retardado bonito? NUNCAA!
Ele notou que eu o olhava e sorriu de leve... Eu dei de ombros e fui sentar no meu lugar.
O professor chegou e passou uma revisão fuleira de Historia...
- Isso não pode! O senhor não passou essa matéria! – levantei irritada. Realmente ele não tinha passado, estávamos todos chateados, mas parece que eu sou a única que tem língua no meio desse bando de idiotas.
O professor me encarou e não disse nada, de repente todo o mundo me olhou como se eu fosse um extraterrestre!
- Algum problema senhorita Saviñon? – o velho reumático disse com ironia.
- Sim, e tem um Mega problema, como o senhor passa sobre esse assunto se nem deu o trabalho de explicar a matéria.
- É claro que eu passei.
- Não passou, estamos todos de prova. – quando ouvi a voz rouca me impressionei, jamais esperaria que Christopher concordasse em algo comigo.
- Ora, ora um complô! – disse com ar de riso. – Só um instante. – pegou o cambio que ficava na gaveta de professores e eu rolei os olhos. Nunca esses velhos de merda se garantem sozinhos, tem que chamar o tio Phil para defendê-los... Covardes!
Não demorou e o “Ah moleque” chegou...
- Pois não professor Marlon. – disse com a voz robótica de sempre.
- Inspetor Edmilson... – cumprimentou. – Esses dois alunos estão fazendo um complô contra mim, insistem em dizer que não passei a matéria, sendo que eu passei na semana passada. Uckermann e Saviñon estão bem desinformados.
- Você de novo Saviñon? – disse o barrigudo me encarando com raiva. – Vem comigo! OS DOIS! – deu ênfase aos dois. Christopher e eu nos encaramos e seguimos o ‘Charles Henrique’.
Fomos para a diretoria, eu já conhecia o caminho de cor e salteado, já que pelo menos uma vez na semana estava por lá, levando umas boas broncas do diretor. Ele não fez nada, por ser final de ano e nos liberou, Christopher e eu saímos sem dizer nada um com o outro... Passamos pelo velho portão enferrujado e eu me arrepiei, pensei ter visto uma sombra clara no meio da escuridão... Saí dos meus pensamentos quando senti Ucker me puxando e me levando para algum rumo contrario da sala de aula. Eu apenas o encarei confusa...
- Posso saber que diabo está fazendo garoto? – disse mal-humorada, enquanto íamos em direção aos fundos da escola, onde tinha um pé de jambo enorme. Ele não respondeu, apenas me agarrou pela cintura...
- Pode me dizer o que você tem comigo, garota? – disse agoniado.
- O que está dizendo seu imbecil? Eu não tenho e nem quero nada com você. – disse sem muita certeza do que falava, o perfume dele me embriagava e seus olhos eram como um imã.
- Eu não entendo o que você tem de melhor hein? – disse negando com a cabeça. – As outras garotas dariam o que fossem para estar no seu lugar agora. – disse se achando.
- Eu não sei por que. Não tem nada de extraordinário assim. – disse com desdém enquanto apontava os braços dele envolta da minha cintura.
- Ah é? – ele disse parecendo ofendido. Não tive tempo de falar mais nada e logo senti seus lábios colando nos meus com força. Sua língua invadiu a minha sem nenhum pudor, e explorava cada canto da minha boca com volúpia e tive que gemer, Christopher me beijava enlouquecidamente delicioso, não queria que acabasse nunca. Senti minha feminilidade se molhar aos poucos enquanto ele acariciava minhas coxas e nadegas com as mãos. Ficamos assim por um tempo, até eu voltar a si e perceber o que estava fazendo. Estava beijando aquele retardado e o pior, estava molhada por ele! Que merda!
O afastei e sai correndo sem dar tempo dele falar nada... Droga! Eu tinha dado um Mega amasso em Christopher Uckermann, o garoto mais insuportável que eu conheço! E o pior... Eu tinha gostado!
Tirando o meu quase momento pornô com Ucker, não aconteceu nada fora do normal na escola, pelo menos de grande importância não... Quase não tivemos aulas, pois foi só revisão e tirar fotos, esse é o lado bom, já o ruim é que eu não investiguei nada hoje, por falta de tempo, quando ia ver, lá estava minha mãe me esperando, ainda bem que não tinha ninguém olhando, minha mãe era super-protetora e eu não fazia questão que meus amigos vissem suas demonstrações de proteção exageradas, chegava simplesmente, meia hora antes do horário certo, queria um buraco pra enfiar a minha cara.
Quando cheguei em casa, entrei em meu quarto e liguei o computador, quase não falei com ninguém, como sempre, estava muito bem sozinha, quando olho de relance para o lado e me deparo com um grande borrão preto ao meu lado. O susto foi inevitável!
- Ai meu Deus... – virei para avistá-lo melhor e ele desapareceu como sempre, sinceramente, eu acho que esse tipo de espírito, ou o que quer que seja muito covarde, some quando eu vou ver, me poupe, se é para aparecer apareça direito.
- Quem tem que ter medo aqui é eu. – revirei os olhos e sentei no computador... Não deixava de pensar em Ucker e isso me irritava profundamente, não podia estar gostando dele! Já tenho tantos problemas e eu dispenso um novo.
Dezessete de novembro de 2010
Um novo “poder”
Eu estava no MSN com minha amiga Angelique quando ela me contou sobre um arranhão misterioso que apareceu em sua pele, e o incrível aconteceu...
- Angelique Boyer diz:
*;/
‘ Dulce. Saviñon diz:
*que houve?
- Angelique Boyer diz:
*MEU BRAÇO TA DOENDO. ;/
‘ Dulce Saviñon diz:
*oo'
- Angelique Boyer diz:
*é, eu estava la fora & de repente apareceu que alguém arranhou & começou a doer D:
‘ Dulce Saviñon diz:
*é a tua casa amg
- Angelique Boyer diz:
*Hã? 'O'
‘ Dulce Saviñon diz:
*n era um cemitério, sl?
- Angelique Boyer diz:
*sim, o prédio era um cemitério! Eles jogavam os corpos aqui & o cemitério era aqui em frente a escola que eu estudei quando era menorzinha!
‘ Dulce Saviñon diz:
*então amg, é o prédio, n jogaram sal grosso no terreno quando construíram.
*amg a dor ta passando?
- Angelique Boyer diz:
*ta, um pouco! Por quê?
‘ Dulce Saviñon diz:
*pq meu braço começo a doer agr
- Angelique Boyer diz:
*'O'
‘ Dulce Saviñon diz:
*tenso oo'
- Angelique Boyer diz:
*não é justo, a marca aparece em mim & em vc que começa a doer? Devia levar a marca junto contigo. :D KKKKK /parei
‘ Dulce Saviñon diz:
*HAHAHA
*NA1
*foi na mão o arranhão?
- Angelique Boyer diz:
*perto da mão, por quê?
‘ Dulce Saviñon diz:
*apareceu aqui OO'
*ta em 3D mew
- Angelique Boyer diz:
*'O' então por que aqui ta vermelho ainda D: minha mãe falou pra jogar álcool , mais dói muito
‘ Dulce Saviñon diz:
*sl
*mas ta pouco vermelho
*aqui
- Angelique Boyer diz:
*aqui ta vermelho, & ainda dá pra sentir a marca
‘ Dulce Saviñon diz:
*aqui também
* só que n ta mt vermelho
- Angelique Boyer diz:
*aqui ta sumindo o vermelho um pouco,
*pode ligar a câm. ?
‘ Dulce Saviñon diz:
*aqui no note n tem câm.
- Angelique Boyer diz:
*no notebook?
‘ Dulce Saviñon diz:
*yeah
- Angelique Boyer diz:
*ata
*mais eu ainda não entendi o que tem haver aqui ter sido um cemitério & meu braço?
‘ Dulce Saviñon diz:
*espíritos uai
*foi quem que arranho?
- Angelique Boyer diz:
*Ninguém, apareceu do nada.
‘ Dulce Saviñon diz:
*entón
- Angelique Boyer diz:
*'O' mais por que eu? D: tinha seis pessoas na rodinha >< (...)
Sim eu peguei a dor dela, não sei como, mas me assustou, muito.
O fato de eu ter sentido a dor dela e ainda transferir dela para mim foi perturbador, e essa não foi à primeira vez que senti dores por Angelique, não estou dizendo que ela me bate, até porque eu sou muito mais forte que ela, e sim porque, quando ela fica muito nervosa ou muito triste, uma emoção bem forte, ou qualquer outra pessoa, eu passo muito mal, não sei por que, e o pior é que eu sei quando a pessoa esta irritada ou de bom humor, mesmo estando longe dela.
No começo eu não tinha tantos “poderes”, mas agora parece que aflorou, não sei, é confuso. Além do mais Christopher não saia da minha cabeça, estava me deixando louca! O que tinha que pensar no momento era em minha Paranormalidade, e para ajudar a esquecer de Christopher... Resolvi então pesquisar melhor o que era isso, e me deparei com dois testes de Paranormalidade, bom, eu já desconfiava muito, mas ainda não tinha certeza disso, então fiz os dois testes. Em um fiz 50 pontos de 100, ou seja, nível paranormal alto. E no outro fiz 125 pontos e o que mais me chamou atenção nesse último foi o comentário do cara que criou o teste “ Fiz o teste e fiz 125 pontos, ou seja, nível paranormal EXTREMO ”. Não pude deixar de ficar muito tensa quando li o comentário.
- Droga, eu não acredito! – fechei os olhos com força.
Agora é certo, sou paranormal.
Dezoito de Novembro de 2010
O Banho
Uma coisa muito estranha aconteceu hoje, mais uma para minha coleção.
Eu saí da escola antes do horário, naquele dia Christopher não tinha ido para a aula, o que me deixou intrigada. Pois bem, voltando ao assunto. Saí cedo não foi porque eu estava passando mal, se bem que eu disse isso para os professores. Mas sim porque eu estava com uma vontade louca de tomar banho. Vocês já deviam saber que eu não sou normal.
- Dulce, já? – minha mãe me olhou confusa. – Como você veio meu amor?
- Vim de ônibus mamãe. – revirei os olhos.
A primeira coisa que eu fiz foi tomar banho e como sempre eu fiz meu “show” particular.
- Tell me how I'm supposed to breathe with no air Can't live, can't breathe with no air That's how I feel whenever you ain't there It's no air, no air... – ok, minha voz é um desastre, mas isso não foi o pior e sim que eu não sei o que aconteceu que a luz começou a piscar sem parar e não era luz da casa piscando, era apenas a do banheiro, pois o barulho do interruptor soava pelo banheiro. Meu medo foi crescendo mais e mais, até que senti um frio enorme me atingir dentro do Box, eu sabia muito bem o que aquele frio significava e eu comecei a tremer, principalmente de medo. – O que é isso? – abracei meu corpo e senti um nó na garganta. - Quem está aí? – disse assustada. – Vá embora!
Espremi-me na parede para me afastar daquela onda de frio que adentrava o Box e comecei a pedir pelo amor de Deus para que aquilo fosse embora e que me deixasse em paz, quando tudo cessou e eu pude sair do canto do Box.
- Eu vou acabar enlouquecendo meu Deus... – coloquei minha mão na testa, e suspirei.
Terminei meu banho o mais rápido possível sem ao menos abrir a boca para falar e sai do banheiro correndo em direção ao meu quarto, muito assustada e intrigada.
Saí do meu quarto, e minha mãe estava ajudando a empregada a por a mesa do almoço.
- Mamãe ouviu alguma coisa no banheiro, enquanto eu estava tomando banho? – perguntei curiosa.
- Tirando sua voz de taquara rachada, nada minha filha. – riu e eu revirei os olhos. Porque raio só eu ouvia e via essas porcarias? BINGO! Sou paranormal!
Vinte de Novembro de 2010...
Perdendo o controle com ele.
Era aniversário de Zoraida e toda a turma estava em um restaurante para comemorar, só faltava Christopher lá, e como todo mundo é serviçal de Christopher, estavam indignados por ele ainda não ter chegado. Eu particularmente estava super bem.
- Não acredito que o Ucker vai furar hoje meu... – Derrick negou com a cabeça.
- Logo hoje no dia do meu niver... – reclamou Zoraida com um bico.
- Af, vocês tinham que agradecer a Deus que esse mauricinho não está aqui para estragar a noite. – rolei os olhos entediada. Mas no fundo queria muito mais do que todos que ele estivesse lá.
- Dulce não seja encrenqueira. – Maite disse baixinho e eu dei de ombros.
- Vamos busca-lo! – disse Christian se levantando.
- O QUE? – berrei. – Mas não mesmo! Vamos ficar logo aqui. – disse eu fechando a cara.
- Então fica aí sozinha Ruivinha. – piscou Derrick.
- Vamos Dulce, não seja implicante. – Anahí pediu, e sinceramente eu só fui por causa dela. Ok... Também queria vê-lo. Mas só um pouquinho.
Então fomos todos à casa de Christopher que morava perto para buscá-lo. Eu tentei os fazer tirarem aquela ideia absurda das mentes, mas não foi possível, e como não ficaria sozinha lá, fui com todos até a casa de Christopher. Mas fui emburrada o caminho todo para deixar bem claro de que eu não gostei nada daquilo. Chegamos à casa de Christopher...
- O que estão fazendo aqui, suas malas! – disse com uma cara de sono.
- Viemos buscar você irmão, estamos te esperando há horas no restaurante e você não aparece. – explicou Derrick.
- Vazem daqui! – bufou. – Não estou com humor para nada hoje! – revirou os olhos. Eu fiquei pedrada, era impressão ou aquele ogro estava expulsando todos nós?
- Relaxa aí parceiro... – Christian disse animado. – Vamos logo sim?
- NÃO! – ele berrou mal-humorado.
- Tudo bem, vamos né... – Disse Derrick, eu me desencostei da parede onde estava e fui seguindo os outros quando ele me puxa pelo braço e me diz que eu era pra ficar.
- Você não! – me olhou profundamente. – Você fica aqui.
Todos viraram para nos encarar, e soltaram gritinhos idiotas, principalmente Christian, nesse momento queria matar aquela cabeça de cenoura.
- Pra que quer que eu fique aqui? – franzi o cenho.
Ele não respondeu e me puxou para dentro da casa e fechou a porta na cara dos outros.
- Educação mandou lembranças. – ironizei.
- Não estou com cabeça para ninguém hoje! – ele disse rápido e segurou meu rosto entre as mãos. Eu o encarei confusa. – Dulce eu não consigo parar de pensar em você!
Choque! Foi a única coisa que eu senti. Ele estava se declarando?
- Desde que beijei você naquele dia... – dizia desconcertado. – Meu coração virou de cabeça para baixo, eu sonho contigo direto!
Eu o olhava nos olhos e ele também olhava meus olhos com intensidade, eu sabia que era verdade, eu sentia.
- Você sempre foi à única garota que me rejeitou, e eu fiquei bolado com isso, e quando te beijei naquele dia já estava a fim de você. E não consigo parar de pensar nisso.
- Eu também não. – disse de repente, não me arrependi nada de ter confessado, eu queria ele pra mim. – Sinto exatamente o mesmo. – mordi o lábio.
Ele sorriu e me beijou logo em seguida, e esse beijo foi dez vezes melhor que o outro, explorávamos a boca um do outro, e nossas línguas dançavam com avidez, ele começou a acariciar meu corpo enquanto me beijava e eu estava enlouquecendo com aquilo, ele desceu os beijos para meu pescoço e eu gemi baixinho...
- Alguém pode nos ver... – sussurrei de olhos fechados.
- Meus pais estão viajando e minha irmãzinha está na casa dos meus avós. – disse enquanto instigava meu pescoço com os lábios. Eu assenti. Se for para acontecer seria ali, não sou como essas patricinhas que tem que marcar no diário a data e a hora que vai perder a virgindade, eu era virgem porque eu queria, e nunca tinha sentido vontade. E não por besteiras do tipo. Mas agora definitivamente, eu estava com vontade, MUITA vontade!
Quando dei por mim estava no quarto de Christopher apenas de lingerie enquanto ele estava só de cueca beijando todo o meu corpo, eu ofeguei quando vi seu corpo, ele era MUITO gostoso e aquilo só estava me deixando mais molhada. Ele desabotoou meu sutiã e meus seios fartos saltaram para fora, pela primeira vez senti vergonha, ele encarava meus seios como um lobo pronto para dar o bote no carneirinho. Ele em um movimento sugou um dos meus seios e eu dei um gemido alto de prazer, senti-lo mamar em mim estava me enlouquecendo.
- Ucker! – gemi.
Ele não ligou e foi descendo as mãos para a minha calcinha, acariciou minha feminilidade por cima e eu mordi meu lábio com força, enquanto botava minha mão em cima da sua para instigá-lo a me tocar! Eu estava no céu!
Depois de um tempo nos acariciando, nem eu nem ele aguentávamos mais. Christopher tirou minha calcinha que já estava ensopada, passou o dedo pela minha vagina e eu arfei, ele viu que eu enfim estava pronta, tirou a cueca e eu me assustei com o tamanho do seu membro, deveria medir uns vinte e dois centímetros, e ele como se estivesse lendo os meus pensamentos...
- São vinte e dois e meio. – sorrindo safado. Eu apenas sorri envergonhada, ele pegou um preservativo de morango. Opa, sempre quis usar um desses! Ele botou no membro e fez careta quando o látex estalou no membro dele. Eu senti o nervosismo aflorara, eu iria perder minha virgindade agora e não tinha mais como voltar, não tinha e nem eu queria.
Ele se sentou ao meu lado e abriu minhas pernas as fazendo ficar bem abertas, se acomodou entre elas e posicionou seu membro em minha entrada que estava muito molhada. Eu segurei um grito ao sentir que ele forçava para me invadir. Droga! Estava doendo.
- AI! – gritei segurando as lagrimas, ele apenas me encarou e voltou a forçar. – Está doendo Christopher! AII.
- Eu prometo que vai acabar. – ignorando meus gemidos de dor, Oh meu Deus estava doendo muito! Forçou mais um pouco e eu senti que ele chegava a minha barreira, sem esperar mais ele deu uma estocada bruta, eu chorei de dor, e logo comecei a sangrar, tinha perdido meu hímen.
Christopher começou com os movimentos impetuosos, eu gritava e ele acariciava meus seios e os chupava enquanto metia em mim com força, logo a minha dor se transformou em prazer, sentia o membro dele me invadir com ganas.
- AHH! – gemi – Christopher! – estava enlouquecendo. E ele também, ele mordia os lábios enquanto apertava minhas coxas. OH droga estava muito gostoso!
Minha feminilidade estava vermelha por conta do sangue e ainda era difícil não sentir dor, o membro de Christopher era duro e grosso, doía muito, mas nada comparado ao prazer.
- Vem aqui amor... – me estremeci quando ele me chamou de amor. Ele saiu de dentro de mim e se deitou, pediu para eu sentar em cima dele de costas, eu obedeci e fui o fazendo entrar todo na minha vagina, eu gemi. Christopher falava alguns palavrões e outras palavras que era impossível eu compreender já que estava perdida em meu próprio prazer. Comecei a cavalgar com ganas e fechei os olhos, aquilo era incrivelmente delicioso. Senti Christopher apertar meus seios com força, estávamos chegando ao fim, oh não, não queria que acabasse, mas eu não estava aguentando.
- OOOH! – rebolei no membro dele e gemi manhoso, senti meu corpo inteiro se estremecer e logo senti o êxtase se apossar de mim. Eu tinha gozado! E quando falavam que aquilo era o céu e o inferno juntos, eu nem ligava, mas agora eu vejo que é a mais pura verdade.
Depois de um tempo estávamos abraçados na cama, em silencio... Esperando nossas respirações acalmarem, eu estava com vergonha.
- Por que não me disse que era virgem? – ele quebrou o silencio, eu corei.
- Não sei... – disse quase em um sussurro. – Ficou zangado?
- Claro que não. – sorriu e me beijou na testa. – Fiquei feliz em saber que fui o primeiro.
- Christopher... – eu comecei receosa. – Não me disse tudo aquilo, só para transar comigo não né? – mordi o lábio.
- Acha que eu seria capaz? – me encarou tristemente. – É assim que você me vê Dulce?
- Não! – tratei de me explicar. – Sabe que não... – suspirei. – É que nunca nos demos bem e você sempre tem varias garotas...
- O que eu sinto por você é diferente pequena! – me olhou nos olhos e eu via sinceridade neles. Senti-me um monstro. – Eu estou realmente muito ligado em você, e o que aconteceu agora á pouco só serviu para confirmar que é você que eu quero. – Ok, eu quase chorei agora. Nunca nenhum cara tinha dito isso para mim, eu sorri para ele e assenti.
- Eu também gosto muito de você. Vamos tentar ok? – ele sorriu de orelha à orelha e me beijou novamente, dessa vez um beijo calmo, apenas para demostrar que o que sentíamos era fato, realidade. Por um momento eu me esqueci de todos os meus problemas, as minhas visões, os espíritos que me atentavam a vida, e as vozes. Christopher era a única coisa que eu queria agora.
Vinte e dois de Novembro de 2010.
O ventilador
Estava na sala de aula no horário de química, mas no momento minha atenção estava toda voltada ao bilhetinho que trocava com Ucker durante a aula.
Sim, estávamos namorando e eu estava muito a fim dele, podia até jurar que estava apaixonada, mas era muito cedo para pensar nisso.
- Dá para parar de ficar com namorinhos e prestar atenção na aula Dulce? – ouvi Anahí dizer risonha atrás de mim.
- Não. – respondi simples e continuei escrevendo meu bilhete para o MEU namorado.
Do outro lado ele apenas sorria e me mandava beijinhos. Trocávamos sorrisos discretos quando vejo Estefânia se levantar correndo e dá um puta empurrão na professora de química fazendo a mesma cair do outro lado da sala. E segundo depois no local onde a professora se encontrava caí o ventilador, deixando todos perplexos.
- O que é isso? – disse levantando de imediato e indo até a professora. O ventilador a mataria sem duvida alguma, e que morte... – Está bem Carmem? – perguntei a ela que ainda estava assustada.
- Como-o sa-sabia que iria cair? – ela perguntou nervosa para Estefânia.
Estefânia ficou calada com a expressão de medo, ela abraçou o próprio corpo.
- Eu já sabia por quê... Vi se soltando lá em cima. – apontou para o teto. Ela estava nervosa.
Ucker veio até mim e ficou ao meu lado acudindo a professora. O inspetor chegou...
- O que aconteceu professora Carmem? – disse observando o ventilador caído.
- Ae Tio Phil, o negocio é o seguinte, a gordinha aqui salvou a mestra. – disse Christian subindo em uma das cadeiras. – Simples assim.
- Como esse ventilador caiu? – todos ficaram calados e o Charles Henrique encarou Estefânia.
- Eu já disse que eu vi se soltar! – gritou. Estefânia estava MUITO nervosa, eu sabia, pois comecei a me sentir mal. Eu fiquei tonta de repente.
- O que foi Dulce? – Ucker perguntou no meu ouvido e eu neguei com a cabeça.
- Nada bebê. – sorri e apertei a mão dele.
Ela estava muito nervosa, isso eu tinha certeza e pela resposta ter saído gaguejada, é porque tem mais coisa nesse rolo ai, e eu ia descobrir.
Vinte e dois de novembro de 2010.
O Braço
Havia voltado da escola fazia uma hora e meia e eu continuava intrigada com o que havia acontecido na aula de química entre Estefânia e a Professora. Ficava repetindo a cena várias vezes em minha cabeça, tentando formar o quebra-cabeça que era a explicação para tal fato.
- Nesse mato tem coelho! – murmurei para mim mesma quando senti meu celular vibrar, era mensagem. Sorri ao ver que era do Ucker. Era incrível como o que eu sentia por ele mudou radicalmente. Aonde iria me imaginar namorando ele? Respondi sua mensagem e fui deitar confortavelmente na cama de meus pais, perdida em meus pensamentos em busca de respostas quando comecei a ver vultos em minha frente. – Merda, vai começar! – choraminguei.
Mas não era vulto qualquer, eram pretos e isso não era um bom sinal. Pude perceber também que a energia do ambiente estava ruim, não, ruim é pouco. Péssima.
- Que merda! – bufei e levantei da cama e saí correndo em direção à sala, onde se encontrava minha mãe assistindo um de seus programas de auditório que eu tenho uma leve impressão de que só ela assiste.
- Oi querida. – sorriu me encarando. – O que acha de me fazer companhia?
- Ok mãe. – sorri. – Não tem nada melhor para fazer mesmo. – ela me encarou com um bico se sentindo ofendida e eu ri.
Senti-me mais segura perto dela, isso é um fato, resolvi acompanhar a mesma vendo seu programa chato com ela. Deitei minha cabeça em suas pernas e fiquei assistindo ao programa.
- O que vê nesses programas? – disse roendo as unhas.
- São autênticos! – disse com os olhos brilhando.
Tudo corria normal, até que senti uma força virando meu braço, mas uma força que parecia duas mãos fortes virando o mesmo.
- AAAAI! – dei um grito de dor e de medo ao mesmo tempo me jogando no chão.
- Dulce, o que está acontecendo minha filha?! – berrou alarmada ao ver meu estado.
- MEU BRAÇO TÁ DOENDO! – gritei com os olhos cheios de lagrimas, estavam torcendo ele com tanta força que jurava que iria arrancá-lo de me corpo ali mesmo. A dor estava insuportável. Estava assustando minha mãe que entrou em desespero, quando me viu caída no chão chorando e gritando de dor no braço.
- Se acalme querida! – pediu.
- Ai! – choraminguei. Pude sentir dois estalos, um quando viraram meu braço e outro quando me joguei no chão, tentando por o mesmo no lugar.
Fui para o Hospital, mas não foi necessário um gesso, bastou enfaixar meu braço. Aquilo tudo estava me fazendo mal. Muito mal.
Vinte e três de novembro de 2010.
A Revelação
Cheguei à escola atraindo a todos os olhares graças ao meu braço enfaixado.
- Dulce o que aconteceu? – Anahí se aproximou preocupada.
- Ai Annie... – sussurrei. – Mas um dos pequenos acidentes. – rolei os olhos. – Você pode compreender, dessa vez quase arrancam meu braço fora, não sei como não quebrou.
- OMG! – pôs a mão na boca espantada. – Dulce tome cuidado com isso, procure não irrita-los.
- Não fiz nada para irrita-los. – disse na defensiva. – Eles se irritaram por motivos desconhecidos. – murmurei.
- Vamos para a sala sim? – assenti e seguimos para a sala de aula.
Quando cheguei perto dos Meninos e das Meninas, todos olharam preocupados mandando logo em seguida àquela chuva de perguntas que no fim se resumem em duas “Vocês ta bem?” e “Como isso aconteceu?” Tive que responder a todas as perguntas com paciência. Ucker chegou até mim com um olhar preocupado...
- O que houve amor? – disse me abraçando e em seguida me beijando.
- Nada meu amor. – sorri feliz por saber que ele se preocupava comigo. – Um pequeno acidente, uma torção leve. – o tranquilizei enquanto caminhávamos em direção à sala de aula avistei Estefânia que estava olhando curiosa para a parte subterrânea da escola.
- Meu amor, eu vou ao banheiro ok? – ele assentiu.
- Não demora. – me deu um selinho e eu me dirigi até Estefânia que tomou um susto quando me viu lá. Era agora que eu ia fazer a gordinha me contar a verdade.
- Estefânia será que a gente poderia trocar uma ideia? – disse sorrindo, tentando parecer simpática.
Estefânia era a típica aluna estranha, não era de falar muito, às vezes não dava nem para notar sua presença de tão quieta que era, a única vez que ouvíamos sua voz era no momento da chamada, e as vezes nem isso pois ela somente levantava a mão, muitas vezes era zoada por alguns por seu peso, que não era muito baixo. – Não era nada baixo. – Ela era gordinha, mas tinha sua beleza, era dona de belos olhos verdes e sua pele era alva, com seus cabelos levemente castanhos, puxados para o loiro.
- O que você quer? – respondeu friamente voltando a mirar a parte subterrânea que tanto me intrigava.
- Nossa... – arregalei os olhos. – Calma eu só quero conversar com você.
- Veio rir de mim por ontem também? – me encarou rapidamente e desviou o olhar.
- Claro que não... – expliquei. – Ao contrario... Vim lhe parabenizar por salvar a vida da professora Carmem.
- Obrigado. – disse me encarando fixamente pela primeira vez. Depois voltou a olhar onde estava olhando tanto.
- Também é intrigada com a subterrânea? – arqueei a sobrancelha. Ela pareceu se assustar com a pergunta.
- Do que está fa-falando? – gaguejou e eu pude perceber o nervosismo dela novamente.
- Não precisa ter medo de mim. Porque não fala o que você tem? Como conseguiu ver que o ventilador iria cair antes?
- Eu já disse que eu vi soltando. – bufou.
- E eu sei que jamais daria tempo, mesmo se estivesse visto o ventilador teria esmagado a professora antes mesmo de você levantar da cadeira. – a encarei com o olhar de suplica. – Por favor, me explique!
Estefânia pareceu me analisar um tempo, como se pudesse ter certeza que poderia confiar em mim.
- Vamos para outro lugar. – me pediu e eu sorri e assenti.
A levei para a cantina, como estava em horário de aula não tinha muita gente, estávamos em uma mesa afastada e Estefânia parecia tomar coragem para me contar algo...
- Confie em mim. – disse com o olhar firme.
- Dulce eu não sou normal... – suspirou. – A verdade é que eu tive uma visão que aquele ventilador iria cair e foi horrível... – pôs a mão no rosto e começou a chorar, eu fiquei queixo caído, pois não esperava por isso, na verdade esperava, mas foi difícil de acreditar que eu não sou a única “anormal”. – Ele esmagava a professora e deixava os pedaços dela como papa no chão. Foi atormentador... Você não tem noção, de como é horrível.
Eu a encarei e tomei coragem...
- Tenho sim... Eu tenho noção porque eu sou simplesmente igual a você. – agora foi a vez do queixo dela cair, seus olhos azuis me encaravam com confusão. – A verdade é que eu já previ a morte de uma mulher, e vejo espíritos vinte e quatro horas do meu dia, tenho pesadelos e sinto a energia das pessoas, além das vozes que eu ouço.
- E eu tenho premonições... Também vejo espíritos e ouço vozes. – de cabeça baixa.
- Eu nunca imaginei conhecer alguém como eu pessoalmente. – sorri alegre. Realmente fiquei um tanto aliviada em saber que eu não era a única.
Eu e Estefânia conversamos um pouco, ela estava bem mais solta, e ria com facilidade, decidimos ficar por ali mesmo, já estava tendo aula e estávamos perdendo mesmo, decidimos esperar tocar o sinal. Encarei o portão enorme e a placa “S.O.S”.
- Aquela subterrânea me dá arrepios. – disse eu, Estefânia virou e também olhou a porta. – Sinto péssimas energias vindo dali, e cada vez estou mais certa de que aqui era um cemitério.
- Eu já vi uma mulher negra dentro daquela sala, ela estava vestida de vermelho e parecia um vestido de noite... – Estefânia disse ainda olhando para o portão. – E em um piscar de olhos sumiu, eu tenho certeza que era um espirito. – suspirou.
- O máximo que já vi aqui foram vultos. Nunca me liguei para concentrar meus poderes paranormais aqui. – ri de leve. – Sempre estou aprontando e espevitando com todo mundo. – Estefânia sorriu.
- Já eu estou sempre sozinha, com a mente vazia, e eles sempre me atormentam. – disse sem humor.
Estefânia e eu tínhamos mais coisas em comum do que imaginava. Ela era paranormal desde os seis anos, eu desde os doze, exatamente seis anos de diferença... Estefânia tinha nascido no dia doze de março e eu em seis de dezembro, novamente o seis na minha vida, procurei parar de pensar no seis e voltamos para a aula.
Vinte e quatro de Novembro de 2010
Terror em sala de aula
Estefânia e eu estávamos na sala de aula animadas trocando histórias atormentadoras, isso não é muito agradável, mas estava sendo bem divertido. Até certo momento.
- Juro Dulce! Eu vi uma mulher sem um olho na minha festa de quinze anos! – riu. – No momento foi horrível, mas depois eu fiquei com vontade de rir. – E eu também ri, imagina ver uma caolha na sua festa de debutante? Que horror. Estávamos lá super animadas quando eu me senti tonta e vi uma mulher Ruiva com os cabelos bem cacheados em minha mente. Coloquei a mão na testa e suspirei com os olhos fechados. Era uma mulher linda e parecia angelical.
- Dulce? – Estefânia me chacoalhou de leve.
Quando levantei a cabeça pude perceber a preocupação no olhar de Estefânia.
- Eu acabei de ver uma ruiva... – disse ainda meio atordoada. – Estava me olhando com uma cara despreocupada e parecia alegre...
- Ela não disse nada? – me perguntou ainda preocupada. Eu neguei.
- Vai ver não deve ser nada importante. – dei de ombros e ela assentiu.
Ignoramos tal fato, um erro. Minutos depois uma dor fortíssima seguida de uma energia péssima nos cercava.
- AI MEU PULSO! – apertei meu pulso direito com força. Estefânia também apertou seu pulso, mas não disse nada, eu sabia que ela também estava sentindo.
- Estão apertando. – disse ela entre dentes.
Ucker veio até mim, junto com minhas amigas.
- Dulce, o que é isso? – berrou alarmado a me ver dar pinotes. – Meu amor.
Eu não respondi a ele. A dor nas duas se concentrava em apenas um lugar. No pulso direito. A dor estava chegando e um nível insuportável, nossos pulsos estavam tomando uma coloração roxa.
- AII CARALHO! – Estefânia arrancou uma pulseira prata que estava em seu pulso dolorido de tamanha dor soltando um grito de dor junto a mim.
Todos os olhares se voltaram a nós com um tom de dúvida. Todos cochichavam coisas como “elas estão loucas” ou “estão endemoniada” e outras “estão querendo chamar atenção”. A dor passou na mesma hora.
Pedimos permissão à professora que nos olhava assustada para ir ao banheiro nos recompor e ela assentiu ainda com um olhar misto de dúvida, curiosidade e preocupação.
- O que foi isso meu Deus! – disse enquanto íamos em direção ao banheiro. Segurava meu pulso com força temendo que a dor voltasse.
- Eu estou com medo. – soluçou. – Nunca eles tinham me tocado. – disse assustada.
- Eu já. Quase quebram meu braço outro dia. – rolei os olhos enquanto entravamos no enorme banheiro feminino. Sorte que não tinha ninguém. – Porque acha que estou com o braço enfaixado?
Ela me encarou com a expressão mais assustada ainda.
- Seja lá o que isso for, tem uma força danada! – disse enquanto ligava a torneira e jogava agua em meus pulsos que estavam completamente vermelhos, Estefânia fez o mesmo.
- Dulce é se eles quiserem nos machucar de novo?
- Aí eu não sei. – disse receosa. Lavamos nossos rostos que estavam inchados graças ao choro. Sim, tínhamos chorado.
Voltamos à sala e novamente os olhares se voltaram a nós, aquilo me irritou um pouco...
- Como se sentem? – a professora de biologia perguntou ainda preocupada.
- Estamos melhor professora. – Disse tentando parecer o mais normal possível enquanto nos dirigíamos as nossas carteiras.
- Se quiserem posso chamar a medica do colégio para examina-las. – eu neguei.
- Obrigada professora, não precisa. – sorri falsa. Ucker me olhava preocupado e eu mandei um beijo para ele para mostrar que estava bem. Ele sorriu aliviado.
- Dulce o que é isso? – Anahí disse enquanto eu passava pela cadeira dela. – Porque está toda arranhada. – apertou meu pulso como se ele estivesse ótimo. Eu gritei de dor.
- Não estou arranhada, foi só uma dorzinha... – olhei para o meu braço e tomei um susto. Tinha arranhões enormes, parecia que eu tinha sido arranhada pelas garras de um demônio. Olhei um pouco mais a frente e pude ver que Estefânia se encontrava na mesma situação. Fui correndo em sua direção. Ela ficou pasma como eu também estava arranhada, mas não como eu, eu estava toda esfolada.
- Como isso aconteceu Dulce? – disse com lagrimas.
- Não sei. Havíamos ido ao banheiro e NADA havia nos encostado lá, além da água, mas pelo que eu saiba água não tem unhas. – disse afogando os cabelos com as mãos. Bufei. Aquilo estava começando a me irritar.
Não demorou cinco minutos e todas as marcas de arranhões profundos que haviam em nós haviam desaparecido deixando nossa pele do jeito normal.
- Olha Dulce! – disse me cutucando. Eu a olhei. – Os arranhões desapareceram! – Disse eufórica. Eu olhei para seu pulso e vi que era verdade, os pulsos dela estavam normais como se nada estivesse acontecido. Olhei para os meus e também tinham sarado.
- Caramba! – fiquei abismada.
Não tinha noção de que seriam capazes de nos atacarem em plena sala de aula.
Quando saímos da sala Ucker veio até mim.
- Como se sente? – chegando por trás. Eu fiquei arrepiada. – Fiquei preocupado contigo.
- Estou bem, foi só uma dor no meu braço machucado. – menti. Não queria preocupa-lo com minhas maluquices.
- Mas estava apertando seu pulso direito justamente com seu braço machucado. – disse divertido. Eu engoli o seco.
- Er... – gaguejei nervosa. – Para você ver, estava doendo tanto que até perdi a noção de onde doía. – ele deu de ombros e me beijou. Sentia meu coração bater forte. Eu definitivamente estava louca de amor por Christopher. Fomos para os fundos do colégio onde demos nosso primeiro beijo. Sentia-me tão protegida com Ucker que podia acabar o mundo, se estivesse com ele estava tudo bem.
Logo nossos beijos começaram a esquentar e eu sentia que ele estava se animando.
- Amor... – disse separando o beijo. – É melhor parar por aqui não acha? – mordi o lábio envergonhada. Ele sorriu.
- Se você quer. – disse com biquinho. – Fazer sexo nos fundos do colégio não seria nada mal. – com uma cara safada.
- Mas nem sonhando. Imagina se nos pegam! – ri.
- Temos que marcar. – me abraçando por trás. – Eu te quero de novo. – eu engoli o seco. – O mais rápido possível. – mordendo minha orelha.
- Ok. – fechei os olhos. – Eu também quero ser sua de novo. – murmurei sorrindo.
Ficamos um pouquinho namorando e fomos em direção ao portão de saída. Mamãe já estava lá. Eu rolei os olhos. Ucker se despediu de mim e foi em direção a sua moto, sorte que não viu minha mãe. Esperei ele ir e fui em direção a ela.
- Que lindo, minha princesinha está namorando. – disse batendo palminhas. Já disse que quando minha mãe queria era uma mala?
Ignorei suas gracinhas e fomos para casa, mas ainda não tinha esquecido o acontecido na sala de aula...
Vinte e cinco de novembro de 2010
Silvana Souza Parte 1
Dois dias haviam se passado e eu já tinha retirado a faixa do braço. Agora que estava totalmente curada, resolvi voltar a investigar a famosa parte subterrânea. Dessa vez não havia ninguém para ir comigo, além de Anahí, como sou muito chata, resolvi insistir em ir com ela.
- Annie! – disse chorosa. – Não seja chata, não custa nada me acompanhar.
- Porque não pede para o Christopher ir com você? – disse ciumenta. Sim, Anahí tinha ciúmes de Christopher, dizia que eu a abandonava para ficar com ele. Neurose...
- Porque ele não veio hoje, e porque você é minha amiga... – bufei. – Você poderia me ajudar um pouco Narrí...
Fui tentando convencê-la até que chegamos ao vestiário da escola, que é mais usado para ligar do celular, contar fofocas e matar aulas.
- Não insiste Dulce, eu já disse que ali eu não piso nem morta!
- Ok... – suspirei frustrada. – Como vai com sua nova paquera? – perguntei zombeteira. Anahí estava caidinha pelo nerd da sala. Alfonso Herrera. Ele não era um nerd feio, ao contrario, era bem gatinho. Mas não conversava muito.
- Não enche Dulce... – rolou os olhos e eu ri. Acabamos mudando de assunto, sim eu havia desistido, já era óbvio que Anahí não pisaria lá.
- Vou te esperar aqui... Não demora.
Ela deu língua e entrou em uma das cabines...
- Oh, desculpe. Eu não te vi. – se desculpou com alguém que definitivamente não era eu. Não tinha mais ninguém ao invés de nós duas. Me abaixei buscando os pés da “pessoa” que Anahí estava falando... Surpresa! Não tinha pé algum!
- Anahí você está louca? – levantei abismada, e Anahí percebeu que estava assustada.
- O que foi Dulce? – arregalou os olhos e me encarou como se eu estivesse louca.
- Tá falando com quem? – arregalei os olhos mais ainda. – Não tem ninguém aí!
- Como assim não tem ninguém? – riu meio nervosa. – Você está cega Dulce? – Ela encarou novamente a cabine, dessa vez fui até lá e estava certa, não havia NINGUÉM ali, além de nós duas. – Eu estou vendo ela! – riu. – Na boa Dulce, você está precisando ir ao oftalmologista.
- Claro que não Annie, eu estou vendo você, estou vendo as paredes, estou vendo o meu reflexo no espelho, mas eu não vejo ninguém dentro dessa cabine! – berrei espantada.
Voltei a pensar que Anahí também tivesse algum nível de Paranormalidade, pois não era a primeira vez que ocorriam essas coisas a Anahí, mas ela sempre negará.
- Olha Dulce... – voltou a olhar para a cabine. – Você deve estar tirando uma comigo, só pode. – gargalhou. – Me diz menina. – perguntou para a suposta “menina” que estava vendo. – Como se chama? – olhou para a garota, parecendo esperar a resposta. – Silvana Souza? Que nome legal. – sorriu. – Eu me chamo Anahí. – disse sorridente e essa mal-educada aqui é minha melhor amiga, Dulce Maria.
Silvana Souza... Eu definitivamente já tinha visto esse nome! Mas onde, meu Deus? Forcei um pouco a memoria e um flash Black veio rapidamente em minha cabeça juntando as peças do quebra-cabeça.
Estava observando a sala onde havia a mesa de “tortura” por um buraco de um tijolo que havia caído. E logo atrás da mesa havia um armário de metal completamente enferrujado. E nesse mesmo armário, só havia nomes de meninas. Só consegui ler três nomes, dois eram iguais, mas um tinha o sobrenome ao lado. Os nomes eram: Simone, Silvana e Silvana Souza.
Levantei-me e saí correndo em direção a quadra, passando pelos fundos da escola para entrar na quadra pelo lado oposto do que eu vinha, para que elas não percebessem que eu estava investigando a parte subterrânea novamente.
Eu gelei! Quando dei por mim, Anahí estalava os dedos na minha frente, como se chamasse minha atenção.
- Planeta Terra chamando! – bateu palminhas e eu a encarei.
- O que? – a encarei meio em transe, ainda estava espantada. – Silvana Souza... – repeti comigo.
- É... – suspirou. – Bonito seu nome, quando me casar vou colocar na minha filha, você deixa?
Logo uma brisa forte fez com que nossos cabelos voassem em nossos rostos...
- Ué? – procurou pelos lados. – Onde é que ela tá? – disse um pouco amedrontada.
- Ela desapareceu? – perguntei sentindo meu coração quase saltar da caixa.
- Sim... – esfregando as mãos. – Dulce, vamos embora! – me arrastou em direção à saída.
Silvana estava tentando se comunicar com algum objetivo, mas não sabia qual era esse objetivo, mas uma coisa eu sabia, precisaria de Anahí para conseguir saber.
Silvana Souza Parte 2
No mesmo dia, umas duas horas depois (nós falamos pra nossos pais que temos aula à tarde e que temos que ficar no colégio até 16h30min, mas na verdade não tem nada. Eles acreditam ué) estávamos Anahí, Maite, Angelique, Zoraida e eu nos ferros de flexões que tem na escola. Esses ferros ficam bem em frente à entrada da parte subterrânea. Estávamos nos divertindo...
- Ai meninas, eu estou tão apaixonada. – disse com olhinhos brilhando.
- Aii Ucker... – Angel começou a me imitar. – Estamos tão apaixonados meu amor... – As garotas riam da cara que ela fazia. – Você é o homem da minha vida, vamos fazer um bebê? – Gargalhou e eu fiz um bico mostrando minha indignação.
- Quem diria em Dulce... – Maite me pentelhou. – Vocês viviam se esmurrando e discutindo. Agora está aí só o Love! – riu.
- Podem rir, eu estou muito feliz com o meu namorado sacou? – piscou.
- Olha a doida da Anahí. – Zoraida riu apontando para Annie. – Falando sozinha agora...
Sim... Anahí estava novamente falando sozinha, e isso já estava me deixando preocupada!
- Calem a boca! – pedi e comecei a prestar atenção na conversa.
- Porque você desapareceu Silvana. – parou para ouvir a resposta. – Ah sim... – pareceu aliviada. – Eu fiquei muito assustada viu? – riu.
- Cara, ela tá falando com quem? – Angelique parecia preocupada assim como eu.
Ok, quem não ficaria? Não tinha ninguém além de nós ali e ver a mais cagona do grupo falando com um “espírito” era algo novo. Saí de meus pensamentos quando ouvi Anahí berrar.
- Não Silvana! Não entra aí... – disse preocupada e parecia ouvir a resposta da tal Silvana. – É escuro, saí daí! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Anahí deu um baita grito e saiu correndo, todas nós corremos atrás dela assustadas.
- Droga, o que deu nessa louca? – bufei enquanto íamos a sua direção.
Anahí parou de repente do outro lado da escola e se virou para nós com um sorriso estranho estampado nos lábios. Girou ao nosso redor, como se estivesse analisando.
- Ela está estranha... – Zoraida sussurrou para mim. Eu a encarava com medo. Sim... Eu estava com medo da minha melhor amiga.
De repente ela me agarrou pelos braços com uma puta força... Uma força que eu sabia que Anahí não tinha.
- ME AJUDE! ME AJUDE! – Ela gritava enquanto me sacudia e me machucava.
- Socorro! – comecei a gritar desesperadamente pelo Jabulani (outro apelido do inspetor).
- Larga ela Anahí! – Angelique e Zoraida tentavam soltar Anahí de mim, mas ela parecia presa. – Eu vou buscar o inspetor! – Maite saiu correndo atrás do Tio Phil.
As meninas ainda tentavam tirar Anahí de mim quando Maite chega junto com os dois inspetores... Edmilson (mais conhecido como Tio Phil) e Ronald (mais conhecido por Ronald Mcdonald. A gente sempre pede um Cheddar e fritas quando ele passa.).
- Mas o que está acontecendo aqui? – tio Phil, puxou Anahí e o Mcdonald me segurou com força. – Que coisa feia, duas mocinhas se atracando dessa forma! – Eles com alguma dificuldade conseguem soltar Anahí, que obviamente deixou duas enormes manchas roxas em meus braços, uma em cada “É impressão minha ou meu braço nunca vai ficar bom?”.
Os dois inspetores seguravam Anahí quando ela fecha os olhos.
- Eu estou bem... – disse ela ao abrir os olhos. – Podem me soltar agora. – meio atordoada. Os dois a soltam.
- Só não levo as duas para a direção por que não estão em seu turno, mas amanhã vamos bater um papo. – disse o Mcdonald, se retirando logo em seguida junto com o “Ah moleque”.
Nós cinco voltamos aos ferros de flexões.
- Pode me explicar que maluquice foi essa Anahí Giovana? – Perguntei acariciando meu pobre braço, que a tempos não sabia o que era saúde.
- Eu não sei... – apertando a cabeça. – Eu não me lembro de nada. Eu me lembro de ter visto a Silvana entrar na subterrânea e veio um homem esquisito, ele quis me pegar e aí eu corri, mas ele me alcançou e tudo ficou preto, daí quando eu acordei o Jabulani estava me agarrando. – disse atordoada.
- Como é que é? - Angelique, Zoraida e Maite não entenderam nada.
Mas eu entendi, aliás, entendi perfeitamente bem. Anahí saiu correndo do tal homem e Silvana aproveitou o momento de atenção voltada completamente a Anahí e se apoderou do corpo de Anahí para tentar pedir ajuda.
- Olha eu acho que isso foi alguma paranoia da Annie... – Maite tentou nos acalmar. – Qual é Dulce, que cara é essa? – encarando minha cara de Chico Xavier.
- Não é nada meninas. – balancei a cabeça. – Eu só estou um pouco avoada hoje. – encarei Anahí de relance e ela olhava para os lados, com certeza com medo de acontecer novamente.
- Claro... O Ucker. – zombou Zoraida. Que vontade de estrangula-la para ver se calava a boca.
Ficamos discutindo isso por mais um tempo até que eu olho para as janelas do alto do prédio da escola e vejo o contorno perfeito de um homem em uma das janelas, e ele era todo preenchido de preto por dentro.
- Droga... – disse para mim mesma. Senti-me ligeiramente tonta na hora em que o mirei, e apoiei minha cabeça no ferro.
- O que foi Dulce? – Angelique parecia preocupada.
- Nada foi só um enjoou. – sorri de leve. – Não se preocupem.
- Dulce, você tá usando camisinha não é? – Zoraida perguntou com os olhos arregalados.
- Zora, o que acha de calar a boca? – rolei os olhos e depois os fechei. Ainda não tenho certeza, mas creio que pode ser o homem que Anahí viu.
Vinte e seis de novembro de 2010.
A subterrânea.
Depois de passar tarde e noite pensando no que havia acontecido, eu decidi que ou eu entrava naquela parte subterrânea agora, ou eu não entrava nunca.
Chegando à escola decidida a entrar lá, sozinha ou acompanhada, não me importava mais ter companhia para isso. O óbvio aconteceu, eu não prestei a menor atenção nas aulas, o que também não me importava muito, porque eu só estava pendurada em matemática, e no dia não tinha aula de matemática, então não fazia muita diferença, para mim pelo menos.
Depois do fim aulas eu ainda tinha mais duas horas para entrar naquele lugar, mas antes de ir pra guerra sozinha eu obviamente tentei ir acompanhada.
- Meus amores! – me aproximei das minhas amigas com cara de dó. – Como eu nunca pedi nada para vocês, hoje eu vou pedir um pequeno grande favor.
Anahí, Maite, Angelique e Zoraida me encararam...
- Diga Dulce. – Maite me olhou e riu.
- Bem, eu sei que vocês são medrosas, cagonas e... – Angelique me interrompeu.
- EPA! – bufou. – Eu não sou medrosa muito menos cagona. – com bico.
- Nem eu. – Zoraida disse enfezada. Eu ri.
- Ótimo! – ri comigo mesma. – Era isso mesmo que eu queria ouvir. Já que são tão corajosas, o que acham de me acompanharem até a subterrânea? – arqueei a sobrancelha e elas me encararam.
- É piada não é? – disse meio nervosa. – Qual é Dulce, dizem que lá é mal assombrado.
- Ora, por favor, Maite... – rolei os olhos. – Não me diga que acredita nisso? – debochei.
- Por mim, está fechado Dulce. – piscou e veio para o meu lado. – Eu não tenho medo dessas besteiras mesmo.
- Er... Eu vou, mas eu não sei se vou entrar porque sou alérgica a poeira. – mentira, ela estava com medo.
- Maite e Anahí? – Anahí deu um passo a frente e disse as três palavras mais inacreditáveis que eu já ouvi saindo da sua boca.
- Eu também vou. – sorriu abertamente e minha boca foi no chão.
- Perdão? – foi a única coisa que consegui dizer.
- Eu disse que eu também vou com vocês, para a subterrânea. – sorriu implacável.
- Ok, estou surpresa... – balancei a cabeça. – E você Maite?
- Ok... – ela pareceu pensar. – Se até a cagona da Anahí vai, eu também vou. – deu de ombros e Anahí deu um gritinho de indignação.
- Ok, mas vamos chamar os meninos pra ir com a gente. – Angelique disse com a mão nos cabelos. – Os meninos podem defender a gente! – com os olhinhos brilhando.
- Tudo bem. – pisquei. – Vou chamar meu namorado... – sai com as mãos levantadas e fui procurar Christopher, ouvindo vários assovios atrás de mim. Eu ri.
Logo avistei Christopher junto com Christian na cantina, eu me aproximei...
- Meu amor? – o abracei por trás e beijei seu pescoço.
- Oi pequena. – ele virou e me beijou, naquele momento senti a inveja sobre mim, e não era pouca. A energia estava carregada. – O que aconteceu, não estava com as meninas? – disse confuso.
- Sim, mas houve uma mudançinha de planos. – sorri. – Oii Christian! – pulei em cima dele que riu.
- Pensei que não iria falar comigo. – riu bagunçando meus cabelos.
- E posso saber quais são essas mudanças? – arqueou a sobrancelha.
- Bem, eu vou fazer um convite pra vocês. – pus a mão na cintura.
- Vai ter mulher? – Christian perguntou animado.
- Sim. – disse rindo, realmente teriam, minhas amigas são muito fêmeas!
- OPA! Então estou começando a gostar. – recebeu um pedala de Ucker.
- Diz amor... O que é?
- Vamos à subterrânea. Eu e as meninas. – os encarei. – E então? Vamos lá?
Os dois se entreolharam, e pareciam tensos...
- Ok eu vou. – Ucker sorriu tão corajoso meu bebê! – Mas qualquer coisa eu corro! – ok, abafem o que eu disse.
- E você, Zezinho? – sorri debochada. – Vai gelar, ou vai com a gente? – abracei o Ucker e beijei o pescoço dele, enquanto Christian pensava.
- E o que eu vou ganhar com isso? – me perguntou.
- Fama de corajoso talvez... – dei de ombros. – Nunca ninguém entrou lá dentro.
- Serio? – disse surpreso. É claro que não era serio, afinal eu não sabia de nada daquela subterrânea, mas Christian não precisava saber...
- Seríssimo. – assenti.
- Então eu vou. – se achando. – Diz Dulcinha, em quem eu tenho que bater!
Ia falando besteira até encontrarmos as meninas. Ao chegarmos lá o nervosismo aflorou. Zoraida estava com medo, mas mesmo assim continuava mentindo uma alergia ficou vigiando, para que na hora que nós saíssemos de lá não tivesse ninguém por perto.
- Vamos entrar em dupla gente. – disse acendendo a minha lanterna, que tinha levado na intenção de entrar lá. Entramos em duplas, como se já não fosse óbvio, me jogaram na frente do grupo junto com o Christopher, logo atrás vieram, Maite e Angelique e atrás de todos os medrosos, Anahí e Christian.
- Ai Dulce, aqui tem cheiro de mofo. – disse fazendo careta. – Cheiro de morte sabe lá...
- Claro Anahí, isso aqui é fechado todo o tempo, queria que cheirasse a flores? – disse irônica.
- O que é aquilo? – Christopher pegou a lanterna da minha mão e apontou, para um quadro que estava pendurado na parede velha e rachada.
- Nossa senhora! – pus a mão na boca espantada. Era o enorme retrato de uma mulher nua totalmente ensanguentada, claro que todos nós ficamos abismados e Christian como o bom cagão que é saiu correndo que nem uma pata choca para a quadra.
- Fui galera! – e se mandou.
- E você Anahí? Vai ficar sozinha? – perguntei curiosa.
Mas ao contrario do que todos estavam esperando a reação dela foi quatro vezes mais surpreendente.
- Não, mas vou ficar na frente. – Eu arregalei os olhos e as meninas se entreolharam confusas. Sim isso mesmo, Anahí seguiu na frente de todos nós sem ninguém ao lado dela.
O lugar era completamente empoeirado e escuro, só enxergávamos por brechas dos tijolos, e por uma lanterna que eu havia trago comigo. Andamos mais um pouco e nos deparamos com três saídas uma ia para a direita, uma para frente e outra para a esquerda.
- Por qual nós vamos?
- É melhor ir pela frente. – disse meio receosa. Agarrando-me em Ucker.
Como a da frente era só uma salinha com uma porta de ferro, nós decidimos ir primeiro nela, e depois decidiríamos pra que lado seguir. A salinha era completamente estreita e pequena, e nela havia um poço.
- Credo, o que um poço está fazendo aqui? – Maite disse abanando o nariz. – Que fedor!
O poço que estava aberto, porém pelo cheiro aquilo não era água.
- Meu Deus... – abanei meu nariz. – O que jogam nesse poço? Merda? – realmente o cheiro estava muito forte e ao lado, quase grudado no poço, havia uma escada que descia mais ainda. – Olha é uma escada! – apontei. – Eu vou descer lá! – já estava indo em direção a escada, quando Ucker me segura.
- Nem em sonho que eu vou deixar você descer aí. – com a mão no nariz.
- Mas, eu quero saber o que tem lá! – apontei para o poço.
- Dulce, é perigoso. – Maite negou com a cabeça.
- E você também é muito nova para ir abraçar o capeta. – Anahí disse inocente, eu arregalei os olhos.
- Não me importa! – bufei. – Eu vou descobrir isso é agora. Fui ate a escada e percebi que era muito estreita e muito grudada ao poço aberto, o meu medo de cair lá dentro do poço foi bem maior. – TÁ OK! – suspirei. – Eu só não vou por que tenho medo de cair lá embaixo. – deixei claro. – Vamos, já deu!
Saímos dali e decidimos seguir para a esquerda, e assim que entramos vimos que o teto ia abaixando deixando quase sem passagem e logo ouvimos vários passos sobre nossas cabeças.
- Que porra é essa? – Angelique perguntou assustada.
- Relaxa, estamos embaixo da rampa, os pequenos estão correndo e pulando. – dei de ombros, e ela respirou aliviada. – Vamos galera. Eu acho que por hoje foi o suficiente. – pisquei.
Saímos de lá, e eu ainda estava pensando no quadro estranho que ficou pra trás, mas eu iria descobrir... Ah se ia!
Saímos todos e fomos a uma lanchonete que ficava perto da escola.
- E aquele quadro? – Maite dizia abismada. – Vocês viram que horror? – todos comentavam sobre a subterrânea enquanto eu estava perdida em pensamentos. Tinha mais coisas lá que eu precisava ver, aquele quadro era um dos maiores motivos. Que tipo de escola tem um quadro desses? Agora até as escolas tão envolvidas com ocultismo?
- O papo está bom, mas é melhor irmos, temos aula de biologia. – Christian disse por fim.
Nós resolvemos voltar para a escola, já que hoje realmente ia ter aula de biologia a tarde. Chegamos uma hora antes das aulas, e eu aproveitei pra ficar com o meu bebê.
- Vocês podem ir, vamos ficar aqui no pátio um pouquinho. – abraçando Ucker. Christian e as meninas foram em direção a quadra. – Vem aqui amor... – dando um beijo delicioso nele. Gente tá legal de que a minha vida não é normal, mas eu tenho um namoro normal.
- Pensei que não iriamos ficar hoje princesa. – sorriu cheirando meu pescoço.
- O que achava? – ri. – Que iria ficar o dia inteiro investigando as vidas passadas da subterrânea? – dando outro beijo nele. – Brincadeira né? – sorriu.
- Vamos esquecer aquele lugar apavorante. – dizia meio medroso.
- Onw, meu medrosinho. – apertei as bochechas dele. – Me dá outro beijinho.
Ficamos de beijos nas escadas, até que Ucker levantou...
- Vem comigo. – sorriu e me deu a mão para que eu levantasse também, me levantei.
- O que foi Ucker? – disse confusa. – Pra onde você vai?
- Pra onde NÓS vamos meu amor! – corrigiu. – Vamos nos divertir. – com uma carinha safada. Eu me arrepiei e subi com ele até o terceiro andar, onde ele entrou comigo em uma sala que estava desativada.
- Ucker... – arregalei os olhos. – Você não...
Não consegui falar, pois ele me beijou com sofreguidão. Separou-se de mim rapidamente e trancou a porta. Eu sorri, e ele me beijou novamente.
- Isso é loucura amor. – sussurrei enquanto ele beijava meu pescoço. – Podem ver a gente.
- Claro que não, ninguém vai vir. – dizia calmamente enquanto levantava minha blusa e a tirava. – Fica quietinha. – sorriu, enquanto desabotoava meu sutiã com ganas.
Eu gemi quando ele abocanhou um dos meus seios, e massageou o outro delicadamente. Já sentia seu membro roçar na minha perna e aquilo me excitava de uma maneira inexplicável. Depois ele desabotoou sua calça e a abaixou com cueca e tudo, seu membro já estava ereto, eu ofeguei, ele pegou um preservativo e se protegeu, levantou minha saia do uniforme e tirou minha calcinha, depois de jogar longe minha pequena peça intima, ele se posicionou entre minhas pernas e em seguida me penetrou com força. Eu gritei, gritei de prazer e um pouco de dor, afinal era a segunda vez que eu transava na vida. Arranhei as suas costas tentando demonstrar o que eu sentia, ele apertou minhas coxas e sugou o meu seio, seus movimentos eram rápidos e aquilo estava me deixando completamente louca.
- Ohh, aaahh. – eu gritava sem me importar se podiam nos pegar, ou se podíamos ser expulsos do colégio, nada me importava, só existia Christopher e eu naquele momento. Mordi meu lábio inferior e fechei meus olhos com força, quando senti meu clímax chegar. – AAAAAII. – gemi por fim. Ucker deu mais algumas estocadas para enfim chegar ao seu.
- Nossa. – sorriu beijando minha testa suada. – Você é muito gostosinha bebê.
- Eu sei disso. – pisquei. – Você também é! – sorri. – Eu te amo gatinho.
- Eu também te amo. – me beijou. Ficamos esperando nossas respirações acalmarem e nos vestimos logo em seguida. Ao sair da sala olhamos de um lado para outro, para ver se vinha alguém e eu olhei para o grande relógio que havia no corredor, e como nós temos sorte, a aula já tinha começado...
- Ucker! – berrei assustada. – Estamos vinte minutos atrasados!
- Droga, vamos logo! – me pegou pela mão e descemos as escadas correndo e quando chegamos à sala. Ucker pôs a cara na porta. – Podemos entrar Marcelo? – o professor nos olhou desconfiado e logo deu um sorriso malicioso, um tanto cúmplice eu diria.
- Claro que sim garotos. – ainda com seu sorriso. A sala inteira entendeu e fez o mesmo. Porque todo mundo pensa merda quando um casal chega juntos na sala de aula vinte minutos atrasados? Ok, eu não falo nada, porque era o que a gente estava fazendo mesmo. – Sentem-se. – apontou nossos lugares. – Como dizia os ecologistas... – voltou a dar sua aula e enfim a atenção saiu do nosso foco.
Nós sentamos em nossos lugares, Ucker sentava logo atrás de mim. A aula seguiu normal, como sempre Tio Phil entrou na sala pra dar outro papel para nos entregar. Minha escola tem mania de papel, todo dia tem um bilhete inútil, daqui a pouco vão mandar um bilhete dando bom dia, boa tarde e bom fim de semana.
Quando o professor chegou a nós para entregar o bilhete inútil, fez novamente aquele sorriso e disse quase em um sussurro para nós dois...
- O que vocês faziam hein? – rindo. – A escola não é lugar para essas coisas não... Seus danadinhos. – eu fiquei roxa de vergonha e Ucker riu. – Mas eu entendo vocês. São jovens, estão com os hormônios a flor da pele... Mas cuidado para não serem pegos! – advertiu ainda sorrindo malicioso. Eu quase morri de vergonha, corei na hora, e o professor ainda saiu rindo de mim. Que abusado.
Ok, depois desse acontecimento vergonhoso, que eu nunca vou esquecer, pois fiquei traumatizada, nunca mais faço sexo na escola, sério tomei medo, imaginei vários tipos de situações como “o Ucker e eu estamos no bem e bom na sala quando o professor me entra lá manda aquele sorriso e diz pra tomarmos cuidado” Só de pensar eu já tenho calafrios.
Só depois da aula eu fui me interessar em ler o bendito bilhete, e olha não era assim tão inútil. Era sobre o baile de formatura que teria, já que nós íamos nos formar.
- What? – resmunguei rabugenta ao terminar de ler o pequeno papel. – Baile de formatura?
- Sim um baile de formatura... – Ucker sorriu. – Qual é o problema?
- Você vem não é Dulce? – Anahí disse saltitante. – É o nosso baile de formatura! – disse como se eu não soubesse.
- Está ai, uma coisa que nunca me interessou – rolei os olhos. – Se eu disser que eu prefiro ler um bom livro ou ver um filminho acreditariam? – sorri irônica, os dois arregalaram os olhos.
- Mas é claro que você vai! – disse ele. – Não vai me deixar sem par. – negando com a cabeça.
- E por que não pode ir sem mim? – o encarei esperando a resposta.
- Bom, a menos que queira que eu convide a Belinda... – eu fechei a cara, a befeia não. – Ela está bem ali, só esperando que eu a convide para ir ao baile e passar a noite dançando e se curtindo. – eu o encarei com um puta bico e se eu não estivesse sendo ultra pressionada pro Annie e Ucker pra ir nesse bendito baile eu nem iria, ainda mais ameaçando chamar a befeia ao invés de mim? – Por favor, amor... – quem resiste a essa carinha dele?
- Ok! – aloprei. – Mas eu só vou porque vocês estão pedindo. – cruzei os braços e os dois comemoraram.
Vinte e nove de novembro de 2010.
Complô de arrepiar.
Uma semana se passou e na nossa turma só se falava no baile, era baile pra lá, baile pra cá, sério já estava me irritando ao extremo isso. Hoje, mais precisamente à tarde eu iria com as meninas comprar nossos vestidos e Ucker iria com os meninos alugar os smokings.
- Não sei para que tanta frescura, por causa desse baile. – ia reclamando enquanto caminhávamos em direção à loja. – Eu tenho uns vestidinhos lá pelo meu closet.
- Cala a boca Dulce. – Angelique disse entediada. – Eu já estou cheia da sua chatice. – fez bico e eu dei de ombros.
- Pois eu sou chata mesmo! – cruzei os braços enquanto adentrávamos a loja.
- Oh meu Deus, que coisa mais linda! – Anahí dizia maravilhada enquanto observava os diversos modelos.
Anahí e Angelique estavam histéricas, com os vestidos, e já que a cor era liberada, bom não era inicialmente, era pra ser preto, mas Annie e Angel "quebraram a escola" eles liberaram as cores, contanto que não fosse neon, estampa de bichos, daqueles que você vê do outro lado da cidade.
Enquanto eu, Maite, Zoraida e Estefânia (Sim Estefânia, não sei se disse, mas de uns dias pra cá nós nos aproximamos muito, se tinha dito repeti, se não, disse agora) estávamos vendo vestidos como pessoas civilizadas e normais, elas falavam alto, davam gritinhos, pulavam, batiam palmas, e mais coisas que me irritam ao extremo.
- AAAAAAH! – Anahí berrou bem no meu ouvido. Eu me virei assustada. – Eu estou em duvida! – procurou se explicar.
- Tem como vocês duas olharem os vestidos em silencio? – enfatizei entre dentes.
- Mas a gente nem tá fazendo barulho Dulce. – deu de ombros enquanto passava os vestidos pelos cabides. – Ou estamos? – encarou as outras que apenas negaram com a cabeça, irônicas.
- Tá bem... – pegou um vestido. – Não vamos mais fazer barulho. – cruzou o dedo com carinha de anjo, eu apenas suspirei e voltei a olhar os vestidos.
Escolhi um vestido preto meio arroxeado, longuete, que marca na cintura e abre em uma saia mais soltinha. Maite optou pelo azul escuro. Zoraida, pelo vermelho meio salmão. Estefânia pelo preto mesmo e Anahí e Angelique que ficaram umas duas horas escolhendo entre vários modelos de vestidos rosa, finalmente escolheram os seus.
- Até que enfim! – respirei fundo ao sairmos da loja depois de três horas. – Não aguentava mais tanta roupa, tanta vendedora... – encarei Anahí e Angel. – Tantos gritos! – continuei e elas fecharam a cara. – Agora a única coisa que eu quero é ir embora!
- Eu adorei meu vestido! – Maite sorriu enquanto abraçava a caixa, que estava envolvida na sacola de papel. – Vamos arrasar!
- Eu adorei as compras, mas agora já deu... – passei a mão nos cabelos e coloquei meus óculos de sol. – Estou indo nessa! – disse parando um taxi que passava. – Nos vemos a noite?
- Sim, nós ligamos! – Angelique acenou sorrindo.
- Até mais. – entrei no taxi e me mandei.
Cheguei em casa guardei meu vestido no armário pra não amassar e liguei o computador, logo eu sinto uma presença, um tanto quanto aterrorizante em meu quarto, virei pro lado e me deparei com um homem, com um sorriso maléfico nos lábios me encarando fixamente, e com ele estavam, a menina do dia dos gritos, uma outra menina mais velha que eu julguei ser Silvana e todos os espíritos que eu tinha conseguido ver e quem tanto me aterrorizaram, senti meu corpo estremecer e um frio pelo minha espinha percorrer, meu Deus aquilo não estava acontecendo, aquilo não podia acontecer, e porque Deus eu estava sozinha em casa justo agora?
- Quem são vocês? – disse quase em um fio de voz. – O que querem comigo? – eles não diziam nada, apenas me olhavam como se eu fosse a anomalia ali. – Por favos, falem! – implorei. O silencio continuava, aquilo estava me deixando muito pior. – Por favor, não me machuquem!
Logo todos eles se tornaram um só, o homem que eu havia visto primeiro, ele que ainda sorria maléfico, deu uma risada, um tanto quanto assustadora, e se aproximou de mim, eu não conseguia me mover, fechei os olhos e fiquei pedindo a Deus para que ele fosse embora e me deixasse em paz.
- Me ajude... – orava baixinho. – Por favor, me ajude! – comecei a chorar baixinho.
O homem se aproximou de mim, eu tinha certeza que era o Diabo que estava à minha frente, e isso só me deixava com mais medo. Abaixou-se para alcançar minha altura (pois estava sentada) e sussurrou quase inaudível.
- Dulce Maria... – sussurrou em meu ouvido me fazendo tremer de medo, da cabeça aos pés. – Dulce Maria... – disse pela segunda vez e depois tornou a rir, e o que mais me assustou foi quando o senti passar a mão pelo meu braço, isso nunca tinha acontecido, eu via, ouvia, se quisesse conversaria, mas nunca havia sentido me encostarem assim, bom já havia sentido, mas não quando eu estava vendo-o, ouvindo-o, e podendo me comunicar com ele. Depois de alguns minutos em silencio, ele voltou a falar. – Você deveria tomar mais cuidado mocinha. – sua voz era muito diferente, nada mais grosso ou mais fino que o normal, mas era muito estranha e eu estava para desmaiar de medo. – Deveria tomar mais cuidado com as pessoas que você preza e “ama”. – ele fez aspas com os dedos ao pronunciar a palavra. – Principalmente ele. – apontou para um foto minha e de Christopher que havia em cima de uma mesinha no meu quarto.
- Não! – eu gritei. – Não vai fazer nada com ele! – eu entrei em pânico. – Jamais vou permitir que faça nada com meu namorado! – urrei, como uma loba protegendo a ninhada. – Não vai fazer nada com ele nem com as pessoas que eu amo!
Ele riu, riu como se eu estivesse contando a mais engraçada das piadas, aquilo de certa forma me irritou.
- QUEM MANDA AQUI SOU EU! – ele gritou de repente me fazendo dar um pulo. – Não deve me desafiar Dulce Maria. – ele tornou a rir. – Para o seu próprio bem.
Eu estremeci e ele logo ele desapareceu, eu estava perplexa, não sabia o que fazer, estava a ponto de desmaiar. Me assustei ao ouvir o toque de meu celular, olhei para os lados e atendi amedrontada.
- Alô? – sussurrei.
- Dulce? – ela disse afobada. – Nem imagina o que acabou de me acontecer!
- O que Anahí? – fechei os olhos, ainda muito assustada. Ela é quem nem imaginava o que tinha acabado de me acontecer.
- Eu estava voltando pra casa, daí fui assaltada amiga, iam levar minhas compras e eu reagi! – Eu arregalei meus olhos.
- Você o que? – berrei do outro lado da linha.
- Eu reagi e ele atirou. – eu quase desmaio com o disparate, será que estava falando com um fantasma?
- Annie, você não está usando minha Paranormalidade pra se comunicar comigo não né? – senti meus olhos marejarem e ela gargalhou do outro lado.
- Claro que não Dulce, ele atirou, mas não saiu nada, foi como se a arma estivesse travado. – eu respirei fundo. – Daí ele foi embora. – ela parecia despreocupada. Eu suspirei e depois me assustei ao lembrar as palavras do misterioso homem, para tomar cuidado com as pessoas que amo. Respirei fundo e passei a mão na testa.
- Anahí vem para minha casa urgente, temos que conversar! – dizendo isso desliguei.
Depois de mais ou menos cinco minutos recebo outra ligação, dessa vez era o meu amor...
- Amor da minha vida! – atendi melosa. – Pensei que tinha me abandonado... – disse com voz de bebê. Estava carente dele.
- Linda. – sorriu. – Realmente quase que eu te abandono, pra sempre.
- Você tem outra? – grunhi sentindo a raiva me dominar.
- Claro que não amor, eu quero dizer que quase eu morro! – eu me levantei da cadeira espantada.
- Como assim quase morre? – minha preocupação era monstruosa, se acontecesse algo com Christopher eu morria.
- Estava voltando da lanchonete com os moleques, estava com o carro do meu pai, a gente estava quase na rua da casa do Jack, quando saiu um caminhão de não sei da onde, quase que ele mata a gente. Foi muito rápido, não sei como consegui desviar. – ele dizia ainda assustado. Novamente voltei a pensar nas palavras do sujeito, ele estava brincando com a vida das pessoas que eu amava e aquilo me deixava muito mal. – Depois ele desapareceu, de repente!
- Vem pra cá amor. – disse baixinho. – Agora! O mais rápido possível!
Ele disse que viria, nos despedimos e eu desliguei o telefone. Estava muito aflita com isso.
Vinte e nove de novembro de 2010.
Eu e os demônios.
Eu? Eu estou mais que nervosa, com medo, aflita, quer saber? Não sei o que eu sinto, só quero que eles entrem pela porta do meu quarto o mais rápido possível.
Dez minutos se passaram e nada, eu estava soltando fogo pelas ventas.
- Onde eles estão caramba? – bufei.
Mais cinco minutos e eu ouvi o ranger da porta se abrir e meu coração disparou. Finalmente eles chegaram.
- Enfim apareceram! – levantei e fui recebê-los. Angelique, Maite e Christian também estavam. Organizei todos eles em uma roda mal feita e expliquei a eles toda a situação desde o começo, para que entendessem todo o meu drama. É claro que os que não sabiam ficaram com medo, mas tentaram não demonstrar muito isso.
- Então você é uma espécie de médium? – Christian perguntou meio abismado.
- Sim, eu sou médium, eu me comunico com espíritos e vejo visões que às vezes até eu me assusto. – suspirei. – Eu sei que é estranho, mas eu queria que relevassem isso. Eu quero que vocês se cuidem, quero que tenham muito cuidado com o que fazem, e também com o que dizem, isso é uma coisa muito complexa. Vocês prometem? – os encarei.
- Eu prometo! – Anahí levantou a mão meio assustada.
- Eu também. – Ucker respondeu.
Todos me apoiaram muito e prometeram se cuidar. Logo se foram, ficando apenas Annie e Christopher comigo no quarto.
- Está se sentindo bem? – Ucker perguntou preocupado.
- Sim amor. – sorri desanimada. – Só estou um pouco receosa com tudo isso.
Eu estava de frente para os dois e de costa para o computador, vi Anahí arregalar os olhos e embranqueceu.
- Annie? – perguntei me debruçando até ela. – Você está se sentindo bem Annie? – parecia que tinha algo apertando minha cabeça e então Annie desmaio em cima de Christopher. – Annie? – perguntei cerando os olhos, logo a pressão na minha cabeça passou e fui ajudar Christopher a acorda ela. Peguei um frasco de álcool. Abrimos o frasco e demos para que Anahí cheirasse. Logo ela abria os olhos.
- Amor, vai buscar agua pra ela. – Christopher saiu e eu me sentei na cama ao lado de Anahí. – Como se sente? – Ela se tremia, eu a encarei com uma ruga de confusão. – Annie? – enfatizei novamente. Annie continuava a se tremer. Christopher voltou.
- O que aconteceu? – Christopher perguntou quando volto ao quarto com um copo d'agua.
- Eu vi. – ela tremia. Pegou o copo de agua e quase derrama tudo na minha cama, mas eu a ajudei a segurar.
- Viu o que amiga? – eu desconfiava. Ela bebeu toda a agua.
- Você errou Dulce... – disse entregando o copo de agua vazio para Christopher. – Não é apenas um demônio que está te perseguindo. – com voz chorosa. – São três! – fez três com os dedos. Eu prendi a respiração assustada. – Eu os vi perto da janela. – apontou. – Um deles é o cara que queria pegar a Silvana! – Annie estava se alterando. Eu pus a mão na boca completamente espantada. Christopher sentou e eu vi o medo nos seus olhos, Anahí deitou na cama.
- Meu amor, podemos falar em particular? – ele assentiu ainda avoado e eu o levei até o corredor. Respirei fundo. – Eu vou entender se você quiser termina comigo por isso. – eu olhava tudo menos ele. Estava com medo de Christopher me deixar. Muito medo.
Senti aqueles grandes olhos castanhos me fitando e logo depois veio um suspiro, ele me obrigou a encara-lo e falou.
- Eu seria um idiota de perder você por causa disso, eu gosto de você Dulce, pra falar a verdade acho que a amo. – ele ruborizou e eu sorri estonteante. – E vou estar do seu lado venha o que vier. - e me beijou.
Senti-me a pessoa mais feliz do mundo envolvi os braços ao redor do pescoço dele e me entreguei ao beijo...
Eu estava perdida naqueles lábios, e quando me dei conta Anahí estava no corredor esperando que nos separássemos, ela nos olhou fixamente.
- Quando terminarem o amasso podemos encontrar uma resposta para tudo isso? – ela disse rindo. Eu assenti. – Precisamos tomar uma ação. Procurar algo a respeito deles, não sei.
- Mas como? – arregalei os olhos e ela sorriu. – A única coisa que eu sabia é que um deles quer me ver louca por ele estar maltratando meus amores até que me entregue. – disse abraçando Christopher. – E pelo que vi, eles não gostaram nem um pouco de você... – suspirei.
- Por isso que quero saber mais sobre eles. – cruzou os braços.
- Podemos pesquisar por algo na internet. – Christopher sugeriu.
- Ótima ideia meu amor. – sorri e deu um selinho nele.
Entramos na internet e fomos ao pai dos burros, como eu costumo chamar o Google, e pesquisamos o mais óbvio: Nomes de demônios.
Logo aparece uma página com dezenas de sites, me impressiona as pessoas terem coragem de postar isso em tantos lugares.
- Clica nesse aí, “a porta do inferno”. – pedi. Christopher abriu a pagina e fomos procurando pela característica do que eu tinha me comunicado.
- Que merda, estou com um dorzinha de cabeça. – bufei entediada. Observei e vi que Annie franzia o cenho. – Sua cabeça doí também? – perguntei e ela assentiu de leve com a cabeça. – Vamos parar um pouquinho amor. – pedi e ele assentiu. – Vou pegar um comprimido pra gente Annie. – fui até o banheiro da minha mãe, que era onde ficava a frasqueira. Peguei dois comprimidos para a dor, dei um para Anahí e tomei outro. Não queria causar nenhum tipo de mal a Annie com essas dores.
- Vamos continuar... Se sente melhor Annie? – me levantei e virei para ela.
- Sim. – levantou. – Podemos continuar agora mesmo.
Voltamos a pesquisar e logo um em especial nos chamou a atenção.
“Mara - Personificação da "morte" da vida espiritual, segundo a cosmologia budista. Tentou seduzir o Buda Gautama com a visão de belas mulheres, tidas como suas filhas.”
Batia com as características e pude perceber a expressão tensa no rosto dos dois, aquilo estava começando a ficar mais sinistro, se é que já não era o suficiente.
- Esse mais baixinho eu já vi Dulce. – disse em baixo tom. – Eu o vi uns dois dias eu acho... – confusa e depois continuou. – Dois dias antes de conhecer Silvana Souza. – mexeu nos cabelos. – Mas não se preocupe, ele não me fez nada apenas causou um desconforto.
- Menos mal... – disse aliviada e voltamos a pesquisar. E encontramos um demônio da antiga Bretanha.
“Yan-gant-y-tan - Nome de um demônio da antiga Bretanha (atual Grã-Bretanha). Colin de Plancy, no 'Dictionnaire Infernal', dá o significado do seu nome como 'Wanderer in the Night' ("Peregrino da Noite"), mas a tradução do seu nome do idioma bretão parece ser cognato de 'John with the Fire' ("João com o Fogo"). Encontrá-lo é sinal de mau presságio.”
A ultima parte nos fez arrepiar.
- Encontra-lo é sinal de mau pressagio... – Anahí repetiu ainda em transe. – Será que ele tem algo a ver com isso?
- É provável Annie. – eu disse tentando lhe passar calma. – Até por que só você tinha visto Silvana Souza, até hoje.
- Isso é assustador. – ala abraçou o próprio corpo.
- Vocês vão dormir aqui não é? – mordi o lábio, esperando a resposta.
- E o povo? – franziu o cenho.
- Meu pai viajou a trabalho, e minha irmã foi dormir na casa de uma amiga. – colei as mãos. – Por favor! – implorei para Anahí e Christopher dormirem na minha casa.
- Ok, tem que perguntar da tia Blanca, pra ver se ela permite né Dulce? – Annie disse.
- Vou lá! – cruzei os dedos e eles riram. Minha mãe disse que tudo bem contando que Christopher dormisse no quarto de Viviana. Estraga prazeres.
Estava tudo tranquilo de madrugada quando em meu sonho algo um tanto quanto inesperado aconteceu, aqueles demônios estavam nele e me sussurravam palavras em latim que eu mal conseguia compreender, mas sabia que eram seus nomes. Consegui entender dois nomes que eram o que nós tínhamos suspeitado Yan-gant-y-tan e Mara, mas o outro, o outro foi incompreensível.
Eu estava tensa, muito tensa, acordei assustada suando que nem doida, olhei para o lado e pude ver Anahí sentada no colchão com a cabeça entre as pernas, ela também estava tensa.
- Annie? – óbvio que fiquei preocupada com Annie e até deixei o sonho de lado. – O que aconteceu? – ela se virou para mim.
- Eu tive um sonho muito esquisito Dulce. – ela dizia muito assustada.
- O que você sonhou? – travei a mandíbula, estava nervosa.
Anahí contou sobre o seu sonho, e ela me disse o que eu menos esperava. Anahí teve o mesmo sonho que eu, e também não conseguiu entender o nome totalmente do terceiro demônio.
- Eu não acredito! – pus a mão na boca. – Não acredito que tivemos o mesmo sonho.
- Você também sonhou isso? – ela arregalou os olhos e eu assenti com a cabeça. Estávamos tensas e assustadas. – Vamos chamar o Christopher. – me levantei apressada.
Decidimos então chamar o Ucker, fiquei com pena de acordá-lo ao vê-lo dormir tão sereno, mas Annie estava assustada, eu estava assustada, e a presença masculina dele ia nos dar uma sensação de segurança.
Quando eu estava indo acorda-lo Annie, me segurou e apontou para o lado.
- Olha Dulce! – apontando para o fim do corredor.
Eu não havia percebido, mas lá havia um espirito, branco com feições angelicais, era uma mulher, uma senhora idosa, os cabelos levemente loiros, e os olhos azuis aconchegantes, virou para Annie e sorriu com ternura, virou pra mim e sorriu divertida e logo depois sumiu, senti as lagrimas de Annie no meu ombro e virei para ela.
- O que aconteceu amiga? – sussurrei. – Está assustada?
- Amiga... – ela soluçava. – Ela era... Era a mãe da tia Ale... – me abraçou e chorou compulsivamente.
- Calma Annie. – a abracei com força.
Annie e Ucker eram vizinhos desde pequenos, foram praticamente criados juntos e ela sempre me falava que Dona Rosana era uma senhora maravilhosa, lembro-me que quando ela faleceu ambos passaram uma semana sem sair de casa de tamanha tristeza, apos ter conseguido acalmar Annie, fui acorda Ucker, mas novamente a loira me parou.
- O que foi agora Annie? – olhei pra ela irritada, mas ela apenas me sussurrou.
- Não estou preparada para encara-lo depois de ver a avó dele, vamos apenas deitar, a cama é suficiente grande para nos três... – Sem me deixar responder Annie caminhou em direção ao quarto de Viviana e deitou de costas com Ucker e eu deitei também, ele acordou olhou para os dois lados, mas Annie apenas encarava a parede.
- Está tudo bem meu amor? – me olhou com um ar de interrogação.
- Sim benzinho. – sorri e só me colei a ele, acho que o sono foi maior, pois ele me abraçou e voltou a dormir, eu não quase não dormi aquela noite e tive certeza que Annie também não...
Fiquei cerca de umas duas horas tentando dormir, até que finalmente o sono conseguiu me vencer e eu dormi.
- Dulce! – acordei ao sentir Anahí me sacudindo de um lado para outro.
- Annie? – perguntei sonolenta. – O que foi? Que horas são?
- São cinco e meia da madrugada. – sentou na cama. – Não acha melhor voltarmos para o seu quarto? Sua mãe pode acordar e não sei se ela vai gostar muito de ver a gente aqui com o Christopher.
- Ah não Annie. – sussurrei me aconchegando nos braços de Christopher. – Eu queria dormir juntinha com ele. – fiz bico.
- Não complica Dulce. – rolou os olhos. – Vamos logo!
Depois de muito relutar, me rendi e fui junto com a loira.
Dormi feito uma pedra assim que voltei para o meu quarto. Às oito da manhã fui acordada novamente por minha mãe chamando para tomar café da manhã.
- Queridas! – disse abrindo as cortinas do meu quarto. – Acordem o café já está na mesa! Cilene fez um bolo de laranja espetacular! – eu bufei. Mas que tipo de gente toma café da manhã no sábado? Eu geralmente nem o almoço pego.
- Mãe, me deixa dormir. – pus o travesseiro na cara.
- Não seja preguiçosa Dulce... Espero as duas na mesa. – piscou e saiu.
- Vamos logo Dulce. – disse levantando apressada. – Eu estou morrendo de fome!
- Vai você, Magali. – eu ri e ela fechou a cara indignada.
- Sua chata. – saiu. Ela é dessas que acorda cedo todo dia.
Eu dei de ombros e fiquei enrolando e enrolando até que dormir de novo...
Acordei sentindo uma mão em cima da minha cabeça, pensei que fosse Annie já que ela tem uma mania de fazer isso enquanto dorme, mas ai eu lembrei, Annie não estava no quarto, ou seja, eu estava sozinha.
Tentei levantar e uma pressão me impediu, estava presa e com medo. Tentei gritar num ato de desespero, a boca abria e as palavras não me saiam. Fechei os olhos e fiz a minha última opção... Rezei, rezei sem parar, todas as orações que eu conhecia e umas que me vieram espontâneas.
Tentei me levantar em pulo e consegui, saí correndo sem olhar para trás sentindo a presença de alguém atrás de mim. Fui rumo a cozinha, não queria ficar sozinha de maneira alguma.
Ao chegar lá, estava Cilene, nossa empregada, ela me olhou confusa.
- O que foi Dulce? – disse enquanto esfregava a esponja em um pires. Em seguida enxaguando-o. – Parece que jogaram trigo na sua cara.
- Nada Cilene. – disse indo até o bebedouro e tomando um copo de agua. – Só estou com sede. – disse colocando o copo na pia. – Mais um. – sorri irônica.
- Vai tomar café... Seus amigos e dona Blanca já estão lá.
- Eu vou sim. – sorri. – Estou morrendo de fome.
- Aliás, aquele seu namoradinho é bem formoso. – me olhou com uma cara safada e eu arregalei os olhos.
- Cilene... – disse vermelha. – é melhor eu ir logo! – ela gargalhou e eu saí de fininho.
Será possível que até a minha empregada vai zoar com a minha cara? Digo e repito: Vida de merda!
Sentei-me a mesa ao lado de Christopher.
- Bom dia bebê. – dei um selinho nele.
- Bom dia amor. – eu sorri, ele estava com uma carinha de sono linda.
- Bom dia mulherada! – apenas minha mãe respondeu, já que Anahí olhava para Christopher como se quisesse chorar, provavelmente devia estar de lembrando da senhora Rosana.
Me servi com um suco de laranja e um pedaço de bolo e tentei me integrar na conversa com minha mãe e Christopher.
- O que tanto vocês conversam hein? – peguei o bule e coloquei leite dentro da minha xicara.
- Nada demais querida. – sorriu. – Estava contando a Christopher como a cidade era diferente há alguns anos... Muitas mudanças. – entregando o vidro de Nescafé que eu pedia.
- Superinteressante. – rolei os olhos enquanto misturava minha xicara.
Os dois continuavam a conversar animados, olhei para Anahí e ela estava com o pensamento longe, pelo visto meu café da manha ia ser bem silencioso...
Dito e feito, os únicos que falavam ali eram Minha Mãe e Ucker.
- Está tudo bem querida? – perguntou preocupada.
- Sim mamãe. – menti. – Por quê?
- Você parece preocupada com algo. – arqueou a sobrancelha. Anahí e Christopher se entreolharam nervosos.
- Não é nada, não se preocupe. – disse querendo parecer normal. Mas minha mãe me conhece, como ela diz, ela percebeu que eu estava “diferente” então assim que me despedi de Annie e Ucker minha mãe me chamou para ter uma conversa.
- Dulce eu venho notado que nos últimos meses você está se comportando de uma maneira diferente querida. – suspirou. – Eu quero saber o que está acontecendo com você minha filha.
- Nada mamãe. – gaguejei nervosa. – Eu não sei do que está falando. – comecei desmentindo tudo.
- Não minta para mim Dulce Maria. – cruzou os braços.
- Não estou mentindo. – eu suspirei, não queria falar sobre aquilo, principalmente com ela.
- Dulce eu li o seu diário.
Eu arregalei os olhos surpresa.
- Você o que mãe? – abismada. – Não tinha o direito de ler meu diário! – berrei.
Como ela ousou? Fiquei com muita raiva.
- Me perdoe minha filha... – murmurou. – Jamais faria isso se não estivesse preocupada com você. Você não está normal minha filha! Porque não me disse que estava sendo perseguida por espíritos? Isso é muito serio você sabia?
- Eu estou bem... – sussurrei.
- Não está. – ela cerrou os olhos. – E você vai contar pra mim.
- Começou quando eu tinha doze anos... – resumindo acabei sendo obrigada a contar pra ela, mas óbvio que omiti muita coisa, principalmente os demônios... A gente podia brigar sempre, mas eu não queria que minha mãe tivesse um treco, isso que ia acontecer se eu contasse dos demônios, então preferir ocultar.
- Meu Deus... Minha filha. – ela apertou os lábios em sinal de nervosismo, me fitou preocupada e quando ia me falar algo o telefone tocou, eu corri para atender e para fugir do discurso da minha mãe, a primeira coisa que eu ouvi foi um soluço, e logo depois Anahí falando algo que eu não entendi.
- Anahí... – suspirei. – Respira, eu não estou entendendo nada do que você está falando. – voltei a ouvir os soluços do outro lado da linha, aquilo estava me deixando agoniada.
- É que eu e o Chris... – soluçou de novo, eu gelei. – Nos capotamos aqui na BR...
Eu senti meu coração quase parando de bater, depois ele voltou a bater fraco... Espremido... Meu Christopher... Se acontecesse algo a ele eu morria.
- Annie... – senti a primeira lagrima rolar pelo meu rosto. – Onde está o Christopher?
Anahí ficou em silencio do outro lado da linha, eu estava desesperada.
- Responda Anahí! – berrei caindo no choro.
- Ele está desmaiado. – respondeu embargadamente. – Falaram que ele está respirando normal, ainda estamos esperando o socorro. Acho que ele bateu com a cabeça...
- Meu Deus... – coloquei a mão na cabeça, estava chorando de desespero. – Em que quilometro da BR vocês estão?
- Eu não sei. – respondeu atordoada. – Espera me deixa perguntar pra uma dessas pessoas que estão aqui. – eu assenti enquanto sentava na cama. Minha mãe sentou ao meu lado, um tanto preocupada e curiosa. Depois de alguns segundos, Anahí volta. – Estamos no quilometro 115. – dizia rápido. – Mas a ambulância já está chegando Dulce, é melhor ir logo para o hospital.
- Ok, eu estou indo agora mesmo! – desliguei o telefone apressada enquanto me levantava.
- Dulce minha filha... – minha mãe falou levantando. – O que aconteceu? Qual o motivo do seu desespero? O que houve com Christopher? – me metralhou de perguntas e minha cabeça estava quase explodindo.
- Anahí e Christopher sofreram um acidente de carro depois que saíram daqui. – respondi com a voz embargada enquanto buscava algo para vestir no meu closet. Minha mãe pôs a mão no peito espantada.
- Meu Deus... – voltou a sentar. – Mas como ele está?
- Ele não acorda. – tirando uma blusa de alças e uma calça jeans simples. – Se acontecer alguma coisa com o meu namorado eu morro mãe. – esfregando os olhos enquanto trocava de roupa.
- Não fique assim minha filha, não vai acontecer nada com ele. – disse cuidadosa.
Eu terminei de me vestir e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo mal feito, peguei uma jaqueta rosa, pois estava fazendo frio e eu era muito frienta. Vesti apressada e encarei a minha mãe.
- Pode me levar ao hospital?
- Claro meu amor, vamos sim! – eu assenti. – Deixe-me apenas pegar a minha bolsa e nos vamos agora mesmo.
Mamãe deixou algumas recomendações com a Cilene e nos saímos apressadas.
- Sabe em que hospital ele está? – me perguntou enquanto saiamos da garagem.
- Pra onde vão as ambulâncias? – confusa.
- Ah eu presumo que seja para o pronto socorro.
- Então vamos pra lá mesmo! – ela assentiu e logo estávamos a caminho do pronto socorro.
Enquanto íamos eu estava pensando se os demônios tinham algo a ver com isso. O que estava me deixando cada vez mais certa de que eles estão tentando fazer minha vida impossível, e machucando as pessoas que eu amo, achavam que iriam me fazer obedece-los, mas não mesmo! Ninguém me controlava! Estava perdida em meus pensamentos e preocupações, até minha mãe chamar minha atenção.
- Dulce querida. – eu a encarei. – Chegamos! – eu olhei ao redor e realmente tínhamos chegado, um tanto rápido eu diria. Estava tão avoada que não tinha me dado conta.
- Vamos rápido! – nós saímos do carro e minha mãe o travou.
Adentramos no hospital e pedimos informações sobre Christopher, a moça da recepção informou que ele estava sendo atendido e a acompanhante dele estava no segundo andar, no terceiro corredor à esquerda. Eu agradeci e saímos em busca de Anahí. Ao chegar até lá, estavam Anahí e os pais de Christopher.
- Annie! – eu a abracei com força. – O que aconteceu com ele, responda... – comecei a chorar novamente.
- Estamos aguardando noticia, ele acordou na ambulância. – sorriu. E eu não sei explicar o alivio que eu senti, saber que ele tinha acordado era maravilhoso.
- Graças a Deus! – sorri e me virei para os pais dele. – Tia Alexandra! – sorri de leve e dei um abraço nela.
- Oi querida! – me deu um beijo no rosto.
Tinha conhecido os pais de Christopher a algum tempo atrás, pouco tempo depois que começamos a namorar e os adorava, eram muito legais e carinhosos. Tia Alexandra e o Tio Luiz.
- Oi tio. – fui até meu sogro e o abracei, ele sorriu.
- Como vai mocinha? – disse me soltando e me analisando. – Muito bonita como sempre. – eu sorri sem graça.
- Cadê a Sophie? – perguntei pela irmã caçula de Christopher, Sophie tinha sete anos e era completamente apaixonada por mim, e eu não a culpo afinal quem não me ama?
- Está na casa da minha mãe. – respondeu tia Alexandra. – Ela não sabe que o Christopher se acidentou, senão ela iria ficar nervosa e gritando! Ela ama muito o irmão. – Eu assenti compreensiva.
- Tia Alexandra... Tio Luiz... Essa é a minha mãe, Blanca. – apontei minha mãe que estendeu a mão ao pai de Christopher que a apertou simpaticamente e depois deu dois beijinhos em Tia Alexandra.
- É um prazer conhece-los. – minha mãe começou. – Pena que seja em um momento tão inoportuno. – suspirou.
- O prazer é nosso, dona Blanca. – disse abraçando o próprio corpo. Eu podia imaginar como ela estava preocupada.
Logo o doutor apareceu. Eu estava quase subindo pelas paredes de preocupação.
- Parentes de Christopher Uckermann? – perguntou olhando a prancheta.
- Sim eu sou a mãe dele! – tia Alexandra disse receosa. – Como está o meu filho doutor?
- O seu filho está fora de perigo. – sorriu. Nós respiramos aliviados, Tia Alexandra sentou com os olhos fechados, provavelmente agradecendo a Deus em pensamento. Eu fiz o mesmo e o Doutor continuou. – Ele teve um desmaio, graças a uma pancada forte na cabeça. Mas não teve nenhum dano interno no cérebro dele e ele está acordado. Sofreu uma fratura no fêmur esquerdo, nos já engessamos a perna dele. E está tudo sob controle, apenas vai precisar ficar alguns dias em observação.
- Muito obrigado Doutor! – tio Luiz agradeceu.
- Imagine. – sorriu. – Agora se me permitem eu preciso olhar outros pacientes.
- Ele pode receber visitas? – perguntei.
- Claro que sim, ele está no quarto 1010! – disse. – Mas só de dois em dois. – saiu.
- Podem ir. – eu sorri. – Esperamos aqui.
Tia Alexandra sorriu e saiu com tio Luiz corredor adentro, eu respirei fundo, e sorri comigo mesma, saber que eu ainda veria o sorriso do meu amor, me fazia a pessoa mais feliz do mundo.
Depois de algum tempo, tia Alexandra volta com o tio Luiz, eu levantei...
- Ele está bem mesmo? – perguntei com uma ruga de preocupação.
- Sim, graças a Deus. – sorriu. – Ele quer ver você.
Eu sorri e assenti, sem esperar mais fui até seu quarto. Ele assim que me viu abriu um sorriso lindo, e se sentou um pouco.
- Meu amor! – fui até ele e o abracei com força, ele sorriu me abraçando forte, acho que nunca tinha sentindo tanto medo como senti apenas na possibilidade de perdê-lo. Depois o beijei com sofreguidão, enroscava minha língua na boca dele como se aquilo me deixasse mais tranquila, depois que o ar nos faltou eu o larguei. – Como você se sente? O que aconteceu Christopher?
Ele me encarou um pouco receoso. Pude sentir que ele estava com medo.
- Eu não sei explicar... – me olhava assustado. – Foi tudo muito rápido.
- Me diga o que aconteceu... – sentei na ponta da cama e segurei a mão dele.
- Não sei... – me encarava perplexo. – Eu estava dirigindo normal... Quando do nada a velocidade dobrou e eu perdi o controle do carro, não consegui frear de jeito nenhum, nossa sorte foi que não vinha nenhum carro naquele momento, senão... – suspirou.
- Não fala isso nem brincando amor. – o calei com um selinho. – Graças a Deus que está bem, não sabe o quanto eu fiquei desesperada!
Eu suspirei pensando no que ele tinha me dito, Christopher não tinha motivo algum para se acidentar com toda a certeza isso tinha algo a ver com a macabra visita do dia anterior, eu não tinha duvida disso, eu estava começando a ficar preocupada com essas ameaças...
Ele sorriu, e me puxou para mais um beijo, dessa vez delicado e sem aquela afobação do primeiro.
- Eu te amo. – ele disse no meu ouvido ao pararmos o beijo.
- Eu também te amo. – sorri satisfeita.
Eu procurei esquecer aqueles pensamentos que insistiam em rodear a minha cabeça, e voltei a dar atenção ao meu Christopher.
Aquela semana eu passei ao seu lado, cuidando do meu doentinho, e ajudando-o em tudo o que precisasse. Passava as matérias da escola pra ele, fazia companhia, porque venhamos e convenhamos, hospitais são tediantes... Uma semana depois ele estava em casa, onde ele ficava mais a vontade... Todos os dias assim que saiamos da escola íamos até lá... Meu bebê já estava entediado com aquela rotina, eu sempre ficava até mais tarde, ficávamos namorando um pouquinho, mas nada do que estão pensando! Não tinha como ficarmos a vontade com o gesso, para a nossa tristeza. O mês passou rapidamente, nunca mais fui atentada com espíritos, vozes, e nem nada do tipo, graças a Deus. O baile já estava se aproximando e estávamos nos preparando para a diversão. Por sorte Christopher retiraria o gesso um dia antes, tudo estava conspirando ao meu favor... Pelo menos por enquanto.
Duas semanas haviam se passado, e eu iria ter um dia cheio pela frente, Ucker ia tirar seu gesso e era véspera do baile, ou seja, as meninas estavam aloprando, só falavam em se arrumar lindas, vestidos e maquiagem e mais coisas que não me interessam.
- Ainda bem que vou tirar isso, não aguento mais! – ele reclamou e eu ri.
- Isso é para o seu bem, seu chatinho! – dei um selinho nele.
- Meninos! – tia Alexandra berrou lá de baixo. – Estou esperando vocês no carro, não demorem!
- Já estamos indo mãe! – Ucker gritou.
Fui com Ucker para ele tirar o gesso, correu tudo bem, o médico falou que ele não poderia dançar e etc.
- Ah que graça tem ir a um baile e não dançar? – disse ele com bico.
- Meu amor, vamos nos divertir do mesmo jeito. – pisquei. – Nós podemos ficar sentados e pra mim não é problema algum, eu não queria dançar mesmo.
Ele sorriu e me deu um selinho.
- Te amo. – disse ele encostando nossos narizes, eu sorri com aquilo.
- Também te amo. – respondi dando-lhe um beijo delicado. – Agora eu preciso ir, tá ficando tarde e pode ficar perigoso.
- A minha mãe vai te levar. – disse ele.
- Não precisa amor. Eu chamo um taxi, não quero incomodar sua mãe, ela já fez tanta coisa hoje. – sorri me levantando.
- Com uma condição. – se levantou também. Eu encarei confusa. – Que me deixe chamar um taxista de minha confiança...
- Ok, eu espero você ligar. – disse sentando novamente. Ele buscou o celular e fez a ligação.
Sophie chegou arrastando uma enorme boneca pelos cabelos.
- Oi Dulce! – disse sentando ao meu lado. – Você vai dormir aqui não é? – disse abrindo um sorriso e mostrando sua janelinha.
- Não gatinha. – sorri e ela fez uma carinha. – Outro dia eu durmo. – pisquei.
- Mas vai dormir no meu quarto não é?
- Claro que sim, onde mais dormiria? – gargalhei. – Caiu quando seu dente?
- Antes de ontem. – abriu a boca. – Esse aqui tá mole. – apontou o canino superior. – Não tem nem graça, eu arranco um e outro fica mole. – cruzou os braços e fez um bico. Eu sorri, era muito parecida com Christopher, tinha os cabelos loiros escuros e ondulados, e a pele clarinha. Era muito tagarela. Christopher desligou e se virou.
- Ele está chegando amor. – me deu um selinho e eu assenti.
- Por que vocês se beijam tanto? – disse com uma careta. – É nojento! Eca!
Nós dois nos entreolhamos e rimos.
- Não é da sua conta Sophie. – rolou os olhos. – Não acha que já está na hora de ir dormir não?
- Ainda vai dar sete horas! – disse dando de ombros. – E mamãe e papai disseram que posso ficar acordada até tarde hoje, por que amanhã é sábado! Todos os namorados dão beijinhos na boca não é Dulce?
- É sim, um dia você também vai dar muitos beijinhos e vai ver que é muito legal. – com carinha danada.
- Vai nada, ela só vai namorar quando tiver quarenta e nove anos. – Ucker berrou ciumento e eu gargalhei. Sophie nos olhava confusa.
Ficamos conversando e passando o tempo enquanto o taxi não chegava. Voltei para casa depois de ficar mimando Ucker um pouco. Ao chegar em casa, liguei o computador e fiquei até meia-noite e alguma coisa, logo o sono me carregava, já que tinha acordado muito cedo. Desliguei tudo, tomei um banho quente e fui dormir.
Trinta de dezembro de 2010.
Eles não me esqueceram...
No dia seguinte acordei alegre, afinal era o baile... Apesar de odiar bailes estava feliz por que era a primeira vez que ia a um, completamente apaixonada... Passei o dia enrolando, falei com minhas amigas no MSN, falei com meu amor, ouvi algumas musicas dos meus cantores favoritos, até que enjoei de internet e fui ver TV até a hora de me arrumar para o baile, eu cheguei a uma conclusão nesse meio tempo: Sempre que você não tem mais nada pra fazer, além de ficar vendo tevê, não passa nada que preste nos canais. Depois de muito pelejar encontrei um filme de ação com Jack Chan, adoro esse cara! Sorte que o filme acabaria um pouco antes da hora de me arrumar.
A hora de ir me arrumar deu, estava indo em direção do banheiro, quando entrei no banheiro, olhei para cima e vi um ser parecido com uma pessoa em meu teto, em uma posição que parecia que não havia ossos, não sei muito como era sua aparência, pois olhei rápido e o medo não me deixou avaliar muito, mas só o fato de ele estar todo contorcido no TETO do banheiro, já é pra deixar bem assustado qualquer um.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Gritei, e sinceramente acho que foi a primeira vez que gritei por medo de algo, saí correndo igual uma besta pro quarto de meus pais.
- MAMÃE! – dizia chorosa.
- O que houve meu bem? – minha mãe parecia preocupada.
- Tem uma coisa no teto do banheiro! – não ia falar que tinha uma criatura meio humana, eu nem sabia que diabo era aquilo. Os chamei na hora do medo e nem pensei que eles não iam ajudar em nada.
- Se acalme ok? – meu pai disse, enquanto caminhava até o banheiro.
Eu assenti e fomos até lá, mas não tinha mais nada, isso me deixou realmente assustada.
- Deve ter sido algum reflexo ou alguma sombra querida. – minha mãe sorriu, ela sabia que eu não estava delirando, já que tinha lido meu diário, mas meu pai não sabia de nada.
- Ou pode ter sido algum bicho... – meu pai disse saindo do banheiro. – Tome seu banho tranquila princesa, qualquer coisa chame. – ele sorriu e eu assenti.
Tomei meu banho, meio receosa e fui me arrumar, em uma hora e meia eu estava pronta, me olhei no espelho e gostei do que vi, meus cabelos estavam em um penteado de lado, e o vestido arroxeado contrastava com minha pele e a cor dos meus cabelos, e a maquiagem estava forte, mas nada chamativa.
- Nossa, que linda! – meu pai sorriu quando eu cheguei à sala.
- O Ucker vai adorar! – Viviana assoviou maliciosa e meu pai a encarou com bico.
- Já chega! – arrumou a gravata. – Só falta a sua mãe.
- Já não falta mais. – disse ela chegando, estava muito bonita com um vestido negro com um corte magnifico, quando ela comprou aquele vestido eu babei. – Vamos?
- Está linda querida! – meu pai disse galante e Viviana fez careta.
- Sem melação, por favor. – ela riu. – Vão logo, que eu quero a casa só pra mim!
- Viviane se comporte meu amor! – minha mãe dizia. – Não vá aprontar nada, peça uma pizza daqui a pouco, seu pai está deixando o cartão de credito...
Depois das mil e uma recomendações da minha mãe enfim saímos, fui com meus pais por causa da solenidade e logo depois da solenidade eles foram embora me deixando com meus amigos lá, para a festa.
Tivemos que juntar duas mesas pra poder caber todos juntos, e nos sentamos.
- A Dulce hoje está vestida pra matar! – dizia Christian. – Eita Uckermann se você pudesse fazer certos movimentos, hoje a noite teria hein... – todos riram e eu corei.
- Christian seu louco! – disse vermelha.
- Só estou dizendo a verdade gatinha. – piscou galante.
- É verdade! – Derrick enfatizou levando um beliscão de Maite. – Ai amor... – pôs a mão no braço. – Eu só amo você gatinha... – eu ri.
- Tirem o olho da minha garota, seus vagabundos! – ele riu me abraçando pela cintura. Conversamos animadamente por bastante tempo até que eu apaguei, mas não apagar de dormir ou desmaiar, apagar de simplesmente “perder a consciência” eu estava de olhos abertos, encarando fixamente o nada, não escutando nada, me passaram na mente várias cenas diversas, de quando todo esse tormento começou do acidente de Ucker e Annie, do dia que torci meu braço, do dia em que eu e Estefânia tivemos os pulsos apertados, de tudo, só que agora vendo os espíritos realmente “entrando em ação”. Eu podia vê-los me machucando, e era muito ruim.
- Dulce!
Fiquei assim por cerca de quinze minutos, ou seja, suficiente pra todos perceberem e tentarem me “acordar”...
- Dulce ACORDA MEU! – berrou alguém que eu ainda não tinha reconhecido, assim que recuperei meu estado normal, me deparei com todos com uma expressão confusa.
- O que deu em você? – Era Christopher que falava comigo.
- Eu não sei... Só me distraí... – dizia meio tonta ainda.
- Você está bem? – Anahí me perguntou preocupada.
- Claro que sim, eu só estava viajando... – sorri tentando parecer convincente. – Meninas, vamos ao banheiro? – chamei e elas prontamente se levantaram.
- Porque vocês sempre tem que ir urinar em bando hein? – ele disse tomando um gole de sua bebida, as meninas riram e ele continuou... – Parecem que ao invés de fazer as necessidades vão a um salão de beleza... Sempre voltam mais lindas. – sorriu encarando Angelique, que corou de imediato. Nós rimos e fomos caminhando até o banheiro.
- Hum... Admite Angel... Você arrasta um bonde pelo Christian não é? – Anahí insistia...
- Não viaja Annie. – bufou. – O que eu quero saber mesmo é o que deu em você Dulce! Você não nos engana. – eu as encarei e me encostei a pia.
- Ah meninas... – suspirei cansada. – A verdade é que eu não estava viajando, eu estava tendo uma espécie de visão...
- Visão? – Anahí perguntou. – Que tipo de visão Dulce?
- Eu pude ver! – dizia como se visse novamente as imagens em minha cabeça. – Eu pude ver eles torcendo o meu braço, eles nos arranhando naquele dia Estefânia... – virei para olha-la, ela parecia assustada assim como eu. – Eu pude vê-los virando o carro como se fosse uma folhinha, no acidente de vocês Annie. – estava à beira das lagrimas. Anahí arregalou os olhos.
- Meu Deus... – pôs a mão na boca espantada.
- Olha Dulce... Fica calma ok? – Zora pediu com cautela. Eu assenti.
- Amiga, fica tranquila, um dia isso vai acabar. – Maite disse me abraçando de lado, eu a encarei e mordi o lábio, temerosa.
- Pode demorar, mas vai acabar. – Annie terminou.
Eu estava muito assustada com isso, fazia mais de um mês que não sofria nada do tipo e hoje já aconteceu duas vezes... Primeiro o zumbi no teto do meu banheiro, agora essa visão.
Elas me acalmaram e eu não disse nada, apenas me deixei levar pelas palavras de consolo.
Voltamos para a mesa, conversamos mais, comemos, dançamos, namorei um pouco com Ucker, ou seja, correu tudo normal, foi melhor do que eu esperava.
- Se sente melhor? – ele perguntou carinhoso.
- Eu nunca estive mal. – sorri de leve.
- Não mente pequena, eu sei que estava acontecendo alguma coisa. – apertou minha mão. – Mas não vamos falar sobre isso agora ok? – eu assenti e lhe beijei. – Vamos apenas curtir.
Será que tinha namorado melhor no mundo, que o meu? Claro que não!
Voltei para casa já pela madrugada tomei um banho rápido e cai na cama, tive um sonho estranho, se passava naquele momento em que eu me encontrava, dormindo, mas parecia que eu estava vendo de fora, eu estava com a mesma roupa o mesmo cobertor, tudo igual, até os sapatos que eu tinha deixado largados pelo chão estavam no mesmo lugar, mas o que acontecia eram pessoas me puxando, deduzi que eram espíritos, e vários vultos passando, foi realmente estranho, acordei já estava claro e eu estava na exata posição em que tinham me deixado no sonho.
- Que porra de sonho foi esse? – me sentando na cama.
Cocei meus olhos e olhei para o lado, avistei meu relógio digital e vi que ainda eram 05hrs57min. – Af, eu não dormi quase nada! – reclamei. E o pior de tudo é que apesar de estar com sono, não consegui mais dormir depois disso e não sabia decifrar se era sonho ou realidade.
Trinta e um de dezembro de 2010.
Ano Novo... Vida Nova! Ou não...
Férias! Não sei vocês, mas essa palavra pra mim é tão mágica. Apesar de não ter conseguido dormir quase nada, era impossível que qualquer coisa acabasse com o meu bom humor, estávamos fazendo compras, naquele dia a avenida estava muito movimentada, estávamos cheia de sacolas, e já tínhamos comprado muita coisa.
- Agora, vamos aproveitar que estamos no centro da cidade pra irmos pegar o boletim da Dulce. – minha mãe anunciou. Merda! Sim, ela conseguiu acabar com todo o meu bom humor em menos de quinze palavras!
- Mãe, tá de brincadeira não é? – Viviana reclamou. – Pra que ir buscar, já sabemos que ela reprovou mesmo. – deu de ombros e eu cerrei o punho, irritada. Depois me toquei! Eu tinha ficado tão feliz com as férias que nem tinha me lembrado de que eu precisava de quatro pontos na média pra passar direto em matemática II.
- Mamãe ela tem razão... – minha mãe me olhou com uma cara de espanto. – Digo, érr eu não fiquei reprovada, relaxa... – disse tentando convencer a mim mesma que não. – Mas estamos tão cansadas, por que não deixa isso pra outro dia? – sorri amarelo. Olhei para Viviana e a cara dela não estava muito distante da minha, mas a dela era preguiça de caminhar mesmo, ela já tinha passado direto.
- Nada disso, vamos parar para tomar um café. Já vai dar onze horas e ainda não comeram nada. – eu suspirei algum tempinho a mais de vida. – E depois vamos passar no colégio.
Depois de tomar o café com minha mãe e minha irmã, fomos até a escola, não sei como aguentei Viviana reclamando a cada 100 metros.
- Deixa que eu vou lá mãe. – sorri falsamente. – Descasem vocês devem estar cansadas.
- Ah isso é... – Viviana disse enquanto sentava em um banco próximo a secretaria. – Ai que alivio... Nem sinto minhas pernas. – reclamou exagerada.
Eu rolei os olhos e fui até a direção pegar meu boletim, já sem esperanças de um milagre e...
- Oh meu Deus! Eu PASSEI! – comemorei no meio da secretaria, as mulheres que estavam ali me olhavam como se eu fosse louca. Não podia acreditar que tinha passado, me deram quatro pontos na média em matemática II. Não sabia se ria ou se chorava de alegria, nunca agradeci tanto por ter uma escola desorganizada, graças a essa desorganização o sistema errou a contagem da minha nota. Sai da sala saltitante e encontrei minha mãe e minha irmã me olhando com uma cara confusa.
- Eu passei! – disse com um sorrisão.
- Oh que coisa boa meu amor. – minha mãe disse enquanto me abraçava. – Estou orgulhosa de você!
- Não sabe o quanto eu estudei, estudei muito, demais! – disse exagerando tudo.
Enquanto eu mostrava pra minha mãe o quanto ela tinha uma filha inteligente, tenho que agradar só assim ela me deixa sair com as meninas e o Ucker, vi Anahí chegar com uma cara nada boa para buscar seu boletim. Fui até ela...
- Oi loira! – disse saltitante.
- Oi ruiva... – ela me encarou enquanto ia em direção à secretaria. – Pelo jeito se deu bem. – sorriu.
- Sim, acho que todo mundo se deu bem... – disse sussurrando discretamente. – É que o sistema está errando as notas. – mostrei meu boletim a ela.
- Serio? – me perguntou com os olhos arregalados. – Será que erraram a minha também? – esperançosa.
- Com certeza amiga! – a incentivei. – Vai lá logo!
Anahí sorriu e foi mais contente até a direção buscar seu boletim.
Fiquei torcendo para que tivessem errado a nota dela também, até que ouvi um grito vindo da direção e Anahí saindo correndo do lugar com o sorriso mais largo do mundo!
- EU PASSEI! – berrava mais escandalosa do que eu. – Me deram meus dois pontinhos!
- Eu sabia amiga! – disse eu enquanto a abraçava. – Nós somos demais! – ela assentiu. – Deixa eu ver? – ela assentiu e me mostrou seu boletim, tinham dado os dois pontos que ela precisava em matemática I.
- O ruim é que eu fiquei em filosofia... – suspirou.
- Bom eu tentei impedir essa, mas quando eu tentava te acordar nas aulas você me beliscava. – cruzei os braços. Ela gargalhou.
- Bem, mas isso não importa o pior já passou... A nossa Filósofa Zoraida vai me ajudar... – piscou.
- É verdade... – eu sorri. Nunca vi isso gente, Zora gabaritou TODAS as provas de Filosofia do ano passado e desse também, não é atoa que o professor a ama de paixão.
- Oi macacas! – minha irmã veio até a nós para conversar, apesar de ela ser uma pirralha irritante e me encher o saco, ela é até legal... Com as outras pessoas é claro.
- Gente, vamos pra minha casa? – Annie convidou. – Sei lá podemos nos divertir até a noite. – bateu palminhas. – Mais tarde a Maite também vai pra lá.
- Ok, mas temos que pedir pra minha mãe. – eu disse e Anahí assentiu. Fui até minha mãe com um sorrisinho pidão. – Mamãe...
- O que foi querida? – ela disse enquanto observava os murais.
- Escuta, podemos ir passar o dia na casa da Annie? – Viviana perguntou.
- Ah não meus amores... – disse contrariada. – Temos que preparar tufo pra virada do ano e...
- Por favor, mamãe... – imploramos para minha mãe até a hora que ela não aguentou mais e acabou deixando.
- Tudo bem! – rolou os olhos, entediada. – Mas só porque você foi aprovada. – apontou pra mim. – E não cheguem atrasadas!
Nós assentimos e sorrimos cumplices... Como somos muito amáveis, fomos acompanhar minha mãe até em casa e no plano original iríamos a pé para a casa de Annie depois, mas na última hora chegamos à conclusão de que nós íamos morrer no caminho se fossemos andando, então fomos de táxi.
Chegamos lá quase na hora do almoço, tia Marichello estava terminando de fazer o almoço e falou que podíamos subir que ela nos chamaria quando estivesse pronto.
Subimos para o quarto de Annie e eu fui para sentar na janela, a primeira coisa que eu vejo em um bar que ficava em frente da casa de Anahí, um sujeito hilário.
- Olha o namorado da Viviana ali. – apontei a gargalhadas.
Rapidamente as duas vieram pra janela, olhar quem era o “gatinho”...
- TÁ LOUCA É?! – Viviana perguntou passada. – Nunca que eu namoraria com esse papagaio albino.
Começamos a rir, o homem era realmente estranho.
- Não sabia que ele estava morando pra cá. – disse ainda rindo.
- Nem eu, num vejo ele desde aquele tempo... – Anahí ria.- Aquele tempo era hilário. – Gente, o melhor foi quando a Dul falou que ele parecia o Frei José, com aquele cabelo – Annie ria descontroladamente.
- Não Annie, o melhor foi quando você passou do lado dele fazendo o sinal da cruz enquanto dizia “em nome do pai, do filho, do espírito santo, amém” com aquela voz hilária – Viviana imitou a voz que Annie fez no dia e começou a rir.
Nós três riamos muito, era ótimo lembrar as nossas palhaçadas, minha barriga já chegava a doer de tanto rir.
- Já eu discordo das duas, apesar da Vivi ser uma chata – Viviana me deu um tapa, coisa que fez Annie rir mais ainda – Ai... Deixa-me falar sua coisa. – massageei o lugar do tapa, mas mesmo com a dor ainda ria – Voltando ao ponto, apesar da Vivi ser um chata o melhor foi quando ela falou que ele parecia o Beiçola da Grande família e começou a chamar ele de Beiçola loiro.
Ficamos zoando até a hora do almoço, como nós conhecíamos Annie desde sempre, tínhamos várias palhaçadas, bordões e piadas eternas.
- MENINAS, VENHAM ALMOÇAR! - tia Marichello nos chamou para almoçar, descemos as escadas. Mai chegou à casa de Annie às 13h30min, mas como ela não sabia que eu e Viviana íamos também levou um pequeno susto quando entrou no quarto de Annie e nos viu.
- Eita, tá todo o chiqueiro aqui mesmo? – riu e eu dei o dedo do meio pra ela.
- Nossa que recepção. – fez um bico tentando demostrar sua insatisfação. – Vamos pra piscina, eu andei quase dois quilômetros e estou morrendo de calor. – se abanando.
- Isso é jeito de chegar na casa dos outros sua macumbeira? – Anahí a encarou prendendo o riso. Maite a ignorou e começou a tirar a roupa, trocando por seu biquíni preto.
- Então vamos. – Anahí disse se levantando pra se trocar também. – Tem biquínis de vocês aqui mesmo. – disse abrindo a gaveta e entregando os biquínis.
Trocamo-nos e descemos para a piscina que tinha nos fundos da casa de Anahí. Passamos a tarde fazendo palhaçadas. Até que o som de dois jumentos fazendo sexo ecoou no local. Sabe aqueles toques de celular idiotamente engraçado e escandaloso? As meninas começaram a rir e eu sai da piscina e busquei meu celular que estava no deck. Era meu amor.
- Oi amor. – atendi toda melosa. As meninas começaram a me zoar, mas eu nem liguei.
- Oi meu bem... – disse roucamente. – Tá onde?
- Estou aqui na casa da Annie com as meninas. – sorri. – E você?
- Eu estou voltando do colégio, fui lá buscar minhas notas.
- Passou? – perguntei interessada. Ele não precisava que o sistema errasse, Ucker era muito inteligente, por mais que fosse bagunceiro ele sempre se dava bem em tudo.
- Logico. – disse se achando e eu ri. – Escuta gatinha, eu posso passar aí pra gente sair?
Como estava em viva voz, Annie logo berrou...
- ELA ESTÁ AQUI EM CASA BUNDUDO! – gritou para que ele ouvisse. – VEM TAMBÉM! – ela não perde o jeito escandaloso de ser.
- Não precisa gritar. – ele berrou. – Ok eu estou chegando, beijos! – desligou.
- Suas intrometidas... – dei a língua pra elas.
Depois de um tempo Ucker chegou à casa de Annie.
- Oi meninas. – disse ele. – Demorei? – cumprimentou as meninas
- Que nada meu amor... – ele me deu um selinho. – Está melhor da perna? – perguntei, ele andava mancando de leve por que ainda estava se recuperando, mas já se via que estava bem melhor a perna dele.
- Já está melhor, o doutor disse que dentro de alguns dias eu já vou andar normalmente. – sentando no deck.
- Isso é ótimo. – me curvei e lhe dei um beijo molhado. – Estava com saudades...
- Eu também... – Ucker quando percebeu que eu estava de biquíni ficou encarando meu corpo. – Está cada dia melhor... – disse safado.
- Ucker... – disse vermelha.
- Tadinho Dulce, ele está sentindo falta... – Maite disse e eu corei.
- Já faz mais de um mês que ele está na seca... – Anahí continuou.
- Calem a boca! – berrei e elas riram. – Suas vacas!
As meninas começaram a zoar e só ai que eu me manquei, já fazia um tempo que nós não “ficávamos” e o pobrezinho devia estar sentindo falta.
- Não precisa ficar com vergonha neném. – ele sorriu. – Elas só estão brincando.
- Perdão, Dulce Maria... – Viviana me encarava com a boca aberta. Merda, eu tinha esquecido que ela estava ali. Viviana não tinha ideia de que eu não era mais virgem, ela estava boquiaberta por que ela sabia que nossos pais queriam que nós casássemos virgens, apesar de minha mãe ter certeza quase absoluta de que eu não era mais virgem, eu não havia contado.
Fiz um sinal para ela de que conversaria com ela depois, se ela contasse que eu não era mais virgem pro nosso pai era capaz de ele me matar.
- Vamos mudar de assunto sim? – pedi enquanto mergulhava.
Ficamos umas duas horas jogando conversa fora, dizendo idiotices e eu trocando carinhos com Ucker, até que eu não aguentei mais a agonia e chamei Viviana para conversar.
- Vivi. – ela se virou para me olhar. – Vamos bater um papo, de mulher pra mulher! – disse enchendo meu peito de coragem.
- Ok. – saiu da piscina e me acompanhou até o banheiro que tinha por ali. Vi uma sombra passando por mim depois de Viviana, mas eu estava preocupada demais pra ligar para os meus “amigos” fantasmas.
- Vivi, por favor, você não pode contar nada pro papai! – implorei desesperada.
- Calma Dulce, o que tem demais o papai ficar sabendo que você já transa com seu namorado? – cruzou os braços com a ironia a mil.
- Sabe que ele me mata! – disse chorosa. – Por favor, eu faço o que você quiser maninha!
- Hum... – pensativa. – Está começando a ficar interessante... – maliciosa.
Ok, eu estava ficando com medo da expressão dela.
- O que você quer? – perguntei amedrontada.
- Quero que seja minha escrava por um mês! – disse com sorriso enorme.
- O que? – perguntei incrédula. – Não vivi! Você quer foder com as minhas férias ou o que? – disse indignada. – Não mesmo!
- Então hoje mesmo eu vou contar para o papai que você não é mais moça. – deu de ombros.
- Não! – berrei. – Ah Vivi, pelo menos duas semanas. – pedi calmamente.
- Duas semanas e meia. – ela alegou. – Ou então já era! – fez cara de psicopata.
Eu suspirei, não tinha jeito mesmo.
- Tudo bem, fechado! – apertei a mão dela. – Mas você não vai poder falar até o dia do meu casamento com o Ucker ouviu? – ameacei.
- Ok. – deu de ombros.
- Ótimo. – suspirei de alivio. – Vamos...
Quando íamos sair de lá ouvimos uns barulhos vindos do teto do banheiro, como se fosse alguém batendo ou andando ali por cima, mas era impossível, em cima do banheiro da piscina da casa de Annie ficava o pequeno porão onde só tinham caixas vazias de quando Annie se mudou para aquela casa. Além disso, ficar em pé ali era quase impossível, a se julgar pela altura vista do lado se fora, quem dirá andar ali.
- Que porra é essa Dulce? – Viviana logo ficou assustada, ela morre de medo dessas coisas, imagino se tudo o que eu passo fosse com ela, a garota já tinha tido um infarto e morrido.
Eu engoli o seco enquanto os barulhos aumentavam. Eu sabia que era um espírito querendo botar medo ou algo do tipo, até por que eu vi o vulto passar assim que abri a porta.
- Vai ver é algum gato, ou um bicho... Não liga, vamos logo! – achei melhor mentir.
Voltamos à piscina e o resto da tarde seguiu normal, a noite íamos todos sair para comemorar o ano novo.
Ainda não tínhamos decidido onde viraríamos o ano, pedi para minha mãe para passarmos a virada na casa da Anahí, pois ia toda a galera, nem precisei pedir muito pra ela deixar, acho que sacou que se eu ficasse sozinha com a minha enorme família, sem meus amigos meu ano novo seria uma droga! Enfim, o importante é que ela tinha deixado.
- Ah meninas, a gente podia ir até a pracinha. – disse enquanto terminava minha maquiagem.
- O que vai ter lá? – Anahí perguntou curiosa.
- Tão falando que vai ter show ao vivo, queima de fogos... – dei de ombros. – Vai ser bem legal.
- Eu topo. – Maite disse arrumando o tomara que caia na frente do espelho.
- Eu também. – sorriu. – Vamos falar com a galera. Como eu estou? – disse fazendo uma pose.
- Está linda! – sorri.
Anahí vestia um vestido branco curto, com decote V, calçava um scarpen e usava nos cabelos uma tiara também branca. Maite estava com um tomara que caia branco, curto, um salto plataforma e os cabelos em um coque casual. Já eu usava um vestido frente única, que batia um pouco acima do joelho, um salto mediano, e os cabelos lisos com as pontas cacheadas. Estávamos prontas, e lindas!
As 21h00min já estavam todos na casa de Annie, inclusive Poncho, Annie estava paquerando ele há algum tempo, já tinha um clima entre os dois.
Fomos até uma pracinha que tinha perto da casa de Annie, mas voltamos para a casa dela na virada e a ceia.
Meia noite em ponto!
- DOIS MIL E ONZE! – Angelique berrou enquanto levantava sua taça de champanhe. – FELIZ ANO NOVO GALERA!
Todos nós nos abraçamos e desejamos que aquele ano fosse o melhor do mundo.
- Vamos fazer um pedido secreto, algo só nosso... – Angelique sorria. – Algo que queiramos mais do que tudo esse ano.
Adivinharam meu desejo? Não, bom eu pedi pra que aquele tormento todo com os espíritos acabassem ali e que no próximo ano já não houvesse mais um pingo de Paranormalidade na minha vida.
- Que Deus me ajude... – sussurrei para mim mesma enquanto afagava um abraço com Christopher.
Seis de Abril de 2011.
A PIOR delas!
Quatro meses já tinham se passado, esse ano eu resolvi tirar para descansar e estudar para o vestibular, não só eu como todos os meus amigos. Quase todos os dias nós nos encontrávamos, Annie tinha conseguido passar na recuperação de filosofia, e os outros que também tinham ficado passaram também.
Annie e Poncho começaram a namorar, eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele iria se render as investidas de Annie. Eu e Christopher ainda estávamos do mesmo jeito, apesar de ter tido algumas briguinhas por ciúmes, mas eu sei muito bem como acalmar aquele lá. Maite e Derrick continuaram firmes e fortes também, e os demais igualmente bestas.
Desde o meu pedido de ano novo nenhum tipo de “contato paranormal” havia acontecido de novo, o que me deixou extremamente feliz e despreocupada.
A subterrânea acabou sendo deixada de lado, apesar de eu achar que ainda tem algo lá, mas como nós saímos da escola não tinha como ficar indo “investigar”. Eu poderia ter deixado essa missão nas mãos da Viviana, mas ela em primeiro lugar não sabe do meu antigo probleminha e ela morre de medo dessas coisas, então tive que descartar a possibilidade. Tudo estava perfeitamente normal, até demais, sabe aquele ditado? Alegria de pobre dura pouco. Pois ele se aplica muito bem comigo. Quando eu pensei que todo aquele tormento tinha acabado, era puro engano meu.
Eram cinco horas da tarde, eu estava estudando algumas questões para o vestibular, de repente senti minhas pálpebras pesarem como se eu estivesse com muito sono, mas eu tinha dormido muito bem durante a noite e não sabia explicar o motivo de estar sentindo sono a essa hora da tarde. Eu apaguei... Tive mais uma visão enquanto dormia, e dessa vez nada agradável, não que as outras fossem, mas essa bateu todas juntas.
“Eu estava na escola, parecia que estava em horário de aula, só eu estava no pátio, andei pelo pátio sem entender muito bem o porquê de eu estar lá, até que vi um vulto preto tomando a direção das escadas. O segui com os olhos até que ele sumiu do meu campo de visão, estranhei? Sim, em realidade eu não estava entendendo nada, resolvi subir as escadas quando eu escuto barulhos de tiro e seguidos de gritos de desespero, logicamente eu entrei em desespero também quando vi crianças e mais crianças correndo escada a baixo, algumas feridas, eu não sabia o que fazer. Os tiros continuaram por mais um tempo até que cessaram, mas os gritos e o desespero continuaram, comecei a ficar tonta em meio a todo aquele desespero”
Até que acordei suada e com a respiração ofegante em minha cama.
- Caralho! – olhei para os lados e não vi ninguém. Estranhei um pouco porque não lembrava direito do que tinha acontecido antes de apagar. – Que sonho esquisito. – balancei a cabeça soltando um riso abafado. Olhei no relógio digital ao lado da minha cama e já eram meio dia e dez. Eu arregalei os olhos em espanto. – Porra eu apaguei. – disse levantando apressada.
Tinha dormido quase vinte horas e sequer tinha me movido ou acordado durante esse tempo, e a única coisa que eu lembrava era do sonho, que não foi tão comprido assim. Eu estava um pouco assustada.
Sai e minha mãe já estava almoçando com minha irmã, ela já tinha chegado da escola.
- Tá brincando que você acordou agora? – Viviana arregalou os olhos, enquanto engolia uma porção de batatas fritas.
- Eu... – suspirei. – Eu acho que sim.
- Nossa você apagou hein filha? – minha mãe disse. – Não conseguimos te acordar ontem de jeito nenhum. Viviana até chegou a borrifar agua no seu rosto, mas não adiantou.
- Serio? – perguntei admirada. – Minha nossa... – sussurrei pra mim mesma enquanto sentava. Senti minha barriga roncar, afinal estava a quase um dia sem comer, minha nossa isso tinha acontecido mesmo?
- Dona Blanca do céu... – Cilene chegou até a cozinha chocada.
- O que foi Cilene? – minha mãe perguntou. – Quem morreu. – brincalhona.
Cilene não disse nada, apenas ligou a TV da sala no noticiário, aparentemente apreensiva.
Sentei do lado dela para ver o plantão do jornal, parecia que alguma tragédia havia acontecido.
- Em que mundo nós estamos meu Deus... – Cilene dizia.
Eu comecei a prestar atenção e fiquei branca...
“Por volta das 8h30min da manhã (UTC-3), na Escola Municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a escola armado com dois revólveres e começou a disparar contra os alunos presentes, matando doze deles, com idade entre 12 e 14 anos. Oliveira foi interceptado por policiais, cometendo suicídio.”
- Esse homem deveria ter sérios problemas mentais... - minha mãe fazia comentários sobre a tragédia. – Que Deus me perdoe, esse rapaz merecia morrer.
- O policial atirou nele e ele atirou na cabeça se eu não me engano, dona Blanca. – a empregada dizia ainda chocada.
E eu? Eu gelei, não pude acreditar no que eu estava vendo. Estava branca, em choque. Meu até então sonho havia sido mais uma visão, dessa vez traumática.
Uma sensação ruim se apoderou de mim enquanto eu via o noticiário com minha mãe, que estava visivelmente nervosa.
Aquilo não podia estar voltando a acontecer, mas estava, e o que eu podia fazer sobre isso? Rezar... E muito.
Nem terminei de almoçar, e me tranquei em meu quarto. Comecei a chorar descontroladamente, que merda quando eu iria poder viver em paz? Quando eu poderia ter uma vida normal?
Eu estava condenada a viver presa na escuridão o resto dos meus dias?
Depois de um tempo me acalmei, liguei para as meninas, e disse tudo a elas, elas ficaram chocadas e vieram ao meu encontro. Naquela noite eu pedi para que dormissem comigo e não me deixassem sozinha de jeito nenhum. Precisava de ajuda, precisava de ajuda mais do que nunca!
Nove de abril de 2011.
Reflexão.
Dois dias passaram desde que tive a pior visão que já pude ter, eu não consigo mais dormir, e quando durmo tenho pesadelos horríveis, como pouquíssimo, me sinto fraca, incapaz...
É uma situação difícil, a minha sorte é que tenho uma família maravilhosa e um namorado que me apoia em absolutamente tudo.
- Te trouxe um sorvete. – despertei de meus devaneios ao ver Ucker vindo em minha direção, com um sorvete de chocolate. Nos dois estávamos em uma pracinha, e ele tentava me animar naquela noite.
- Obrigado amor, mas nem estou com fome. – disse pegando o sorvete.
- Come só um pouquinho. – pediu com uma carinha fofa.
- Tudo bem. – sorri de leve.
- Como se sente? – dando um beijo nos meus cabelos.
- Mal... – sussurrei. – Acho que nunca me senti pior.
- Dulce... – ele suspirou. – Eu não gosto de te ver assim.
- Nem eu, mas eu me sinto um lixo de ser humano. – suspirei entristecida. – Parece que eu nasci pra me ferrar.
- Não fala isso. – ele me encarou seriamente. – Você é uma pessoa maravilhosa, talvez se procurarmos ajuda, uma igreja evangélica, um exorcista... Isso passa.
- Você acha? – eu o encarei, ele assentiu. – Eu te amo sabia? – ele sorriu e beijou minha mão.
- Eu também lhe amo. – ele disse olhando nos meus olhos. – E sempre vou amar.
Ele me beijou e eu sorri, sentia a língua dele enroscando na minha, e meu coração batia descompassado. Eu o amava muito e não poderia viver sem ele. Paramos o beijo com selinhos e eu o abracei.
Fiquei com o olhar perdido no carrinho da pipoca, tinha um homem me encarando sem parar e aquilo estava começando a me incomodar. Abracei meu namorado mais forte para que o homem se tocasse, dei um selinho em Christopher, e voltei a encara-lo. Quando me virei não acreditei no que eu estava vendo! Era aquele homem que eu vi no dia que comprei os vestidos da formatura, ele estava olhando pra mim sorrindo diabolicamente.
- Ucker! – comecei a me tremer ao ver que o homem estava vindo em nossa direção.
- O que foi Dulce? – espantado com a minha tremedeira.
- Ele está vindo. – apontei para o homem que me olhava enquanto caminhava. – Ele está vindo Ucker!
- Ele quem Dulce? – parecia que ele não estava vendo nada.
O homem parou em nossa frente, e levou a mão até minha cabeça.
- UCKER! – eu apaguei.
FIM